A terceira linha de transmissão de Itaipu, que acrescentará, a partir de agosto, 600 megawatts de eletricidade à Região Sudeste, não será capaz de reverter a situação crítica dos Estados mais atingidos pela escassez de energia. ‘‘O linhão dará mais confiabilidade ao sistema, já que as duas linhas existentes já estão saturadas, mas não há energia nova’’, explica o presidente de Furnas, Luis Carlos Santos. O diretor de Operações da empresa, Celso Ferreira, comenta que, mesmo melhorando o transporte de energia do Sul para o Sudeste, o linhão ‘‘aumenta um pouco o volume de energia, mas não reverte a situação no Sudeste’’.
‘‘Não há mais nada que possa ser feito a curtíssimo prazo para evitar o racionamento. O linhão era apenas um item de um sistema que acumula vários gargalos’’, diz Rogério Rocha, coordenador do MBA de Energia da FGV.
Obra que era considerada, mesmo antes da ameaça de racionamento, a solução para evitar apagões em São Paulo, o linhão está sendo construído desde o início da década de 90. A terceira etapa da linha, cujo percurso completo vai do Rio Grande do Sul a São Paulo, ficou pronta somente no início deste mês, devido a entraves ambientais que paralisaram a obra num trecho de 330 quilômetros. Pelo traçado do projeto, feito há dez anos, a linha passou a cortar condomínios, além de atravessar longos trechos de mata atlântica.
‘‘A linha irá desobstruir a transferência de energia do Sul para o Sudeste. Pode ser que diminua a projeção do corte, mas não será nada substancial. Desde março o Operador Nacional do Sistema vem alertando para a necessidade de um racionamento e cada mês que se perde agrava o problema’’, diz Rocha. O potencial do linhão é, segundo o presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, de 2 mil megawatts, mas não há excedente de energia no Sul neste montante.
Desde o início do mês, o terceiro linhão está representando um acréscimo de apenas 100 megawatts ao sistema. O linhão depende ainda da instalação de dois transformadores na subestação de Tijuco Preto para operar com uma capacidade maior. ‘‘Na verdade, esta linha serve como uma espécie de seguro, para impedir blecautes como o que ocorreu no ano passado com a queda de torres nas outras linhas’’, diz Santos. Segundo ele, está sendo negociada a compra de 1.200 megawatts de energia da Argentina e a previsão é de que o linhão transporte 400 mw deste total. A previsão é de que o reforço esteja disponível a partir do ano que vem.

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