A nova linha de modelos de veículos Volkswagen, que susbtituirá a chamada família Gol no ano 2000, será produzida nas fábricas de São Bernardo do Campo e Taubaté, o que significará investimento de R$ 3,5 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos, principalmente em inovações tecnológicas e adaptação das linhas de produção nas unidades, de acordo com a empresa. A decisão oficial será tomada em março, mas segundo o diretor de Relações Humanas da empresa, Fernando Tadeu Perez, o próprio presidente da Volkswagen para a América do Sul, Herbert Demel, antecipou a informação para facilitar o acordo de redução de gastos com pessoal entre a montadora e os sindicatos de metalúrgicos do ABC e de Taubaté.
Alguns países disputavam a possibilidade de sediar a fabricação da nova linha Volkswagen, entre os quais, México e Argentina, de acordo com Perez. Na guerra global, prevaleceu o interesse do Brasil, que tem um mercado consumidor muito forte. Além disso, era a fábrica de São Bernardo do Campo que apresentava problemas com excesso de pessoal e necessidade de reestruturação. ‘‘Sem isso, não haveria acordo com o nosso sindicato’’, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, que temia até mesmo pelo fechamento da unidade.
O projeto dos novos modelos da marca - o PQ-24 - ainda não foi apresentado. De acordo com Perez, incluirá variedade bem maior de modelos do que a atual família Gol. O compromisso de fabricação em São Bernardo do Campo e Taubaté é explícito no acordo que será assinado por Marinho, Perez e Demel. Segundo o sindicalista, isso significa garantia de emprego aos que sobreviveram à atual crise estrutural da empresa, que acabou somada a uma conjuntura também desfavorável, de queda nas vendas. Dos 31 mil funcionários, 4 mil estão saindo num pacote de demissões voluntárias.
A Volkswagen está produzindo hoje 25% a menos do que em outubro, antes do pacote fiscal do governo e do aumento de juros. Na época, a produção era de 1.400 unidades por dia, e hoje caiu para 1.050. Diferentemente da General Motors, que aumentou a jornada de trabalho dos funcionários e notou o que chamou de ‘‘bolha de consumo’’, no caso da VW, afirmou Perez, não há bolha alguma.

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