O trecho ferroviário Londrina-Maringá foi considerado o mais viável entre os nove analisados em todo País pela Coppea – Coordenação do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O estudo, encomendado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mostrou que o trecho paranaense tem uma taxa interna de retorno superior a 50% ao ano. ‘‘Um projeto deste tipo se paga em menos de três anos’’, afirmou o chefe do departamento de desenvolvimento urbano do BNDES, João Scharinger. ‘‘Só tivemos uma viabilidade econômica tão alta no trecho Itatiaia-Volta Redonda, no Rio de Janeiro’’.
A taxa de retorno de cada trecho foi calculada com base na demanda de passageiros, situação física do trecho, investimento necessário e tarifa prevista. ‘‘A tarifa prevista no trecho Londrina-Maringá é equivalente as cobradas pelas empresas de ônibus intermunicipais’’, adiantou Scharinger. O preço da passagem na Viação Garcia é R$ 9,20.
O custo de recuperação do trecho exigirá investimentos de R$ 106 milhões. Destes, R$ 35 milhões serão usados em obras de infra-estrutura, implantação de sinalização, reforma das estações e duplicação de um local onde há tráfego de cargas intenso. ‘‘Não queremos atrapalhar o transporte de cargas’’, garantiu Scharinger. O restante – R$ 71 milhões – vai ser utilizado na compra dos trens, cujo modelo é leve e movido a diesel. ‘‘São trens modernos, usados na Europa desde 1995’’.
O trecho Londrina-Maringá vai absorver 15 trens quádruplos. Todo o investimento será privado, segundo Scharinger. O BNDES pode financiar até 90% do custo dos trens e 60% da infra-estrutura, num prazo total de 15 anos. ‘‘Já tivemos uma reunião com o governo do Estado, através da Ferroeste, que se mostrou bastante interessada’’.
Desde o mês passado, o BNDES está fazendo reuniões com prefeituras, moradores e possíveis investidores de cada trecho. ‘‘Tivemos encontros no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo’’, contou Scharinger. ‘‘A reunião na região de Londrina deve acontecer no próximo mês, possivelmente em Arapongas. O objetivo é mostrar os resultados e, a partir disso, começar o trabalho de captação de recursos’’.
A implantação do projeto no trecho paranaense deve acontecer num prazo de dois anos e meio a três anos. ‘‘O edital de licitação para escolha do parceiro privado está previsto para acontecer no próximo ano’’, disse Scharinger, que considera o transporte ferroviário mais seguro e menos poluente do que o rodoviário. ‘‘Apesar deste trecho ter um dos investimentos mais altos também é um dos que têm maior demanda de passageiros’’, afirmou. Contemplando 11 municípios da região Norte, o trecho tem uma população de 1 milhão de habitantes.

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