A reativação do transporte ferroviário para passageiros ligando Londrina e Maringá, em estudo pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, já desperta o interesse de empresários. O diretor da GPC Participações, Pedro Constantino, disse à Folha que tem interesse em investir nessa linha ferroviária. ‘‘Todo tipo de transporte de passageiros interessa a GPC (uma das proprietárias da Transportes Coletivos Grande Londrina)’’. O empresário pretende obter mais informações sobre o projeto junto ao banco, nesta semana. Nascido em Minas Gerais, Constantino disse ter uma ‘‘queda natural’’ por trens.
O BNDES deve divulgar em duas semanas o resultado do estudo que levanta a possibilidade de reativar o trecho ferroviário no Norte do Estado para transporte de passageiros. O estudo vem sendo realizado há cerca de dois anos pela Coppea – coordenação do programa de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na análise, a Coppea está analisando a demanda de passageiros e a viabilidade de otimização de nove trechos em todo o Brasil, que foram considerados pelo banco como sendo os de maior potencial de exploração.
Inicialmente, o BNDES avaliou 64 trechos no País, que têm grande ociosidade no transporte de cargas. No Paraná, somente o trecho Londrina-Maringá está sendo avaliado pela Coppea por ter sido considerado viável. ‘‘A sinalização da operacionalidade deste trecho é boa. Mas só teremos certeza de que seja um bom negócio depois da conclusão do estudo’’, disse a economista do departamento de desenvolvimento urbano do BNDES, Sandra de Souza.
Em pesquisa feita no ano passado, 38% dos 9.792 entrevistados no trecho Londrina-Maringá responderam que usariam o trem semanalmente. A população ao longo deste trecho é de 1.121.325 pessoas. Segundo as primeiras conclusões da análise de viabilidade econômica em andamento, os trechos com melhores retornos financeiros são o de Londrina-Maringá e o Itatiaia-Volta Redonda, no Rio de Janeiro.
O relatório final do levantamento dos nove trechos deve ser apresentado a partir do próximo mês aos municípios e governos estaduais. ‘‘Vamos discutir o projeto com as prefeituras, governos estaduais e com a iniciativa privada’’, disse Sandra. A coordenação de cada trecho ficará a cargo do poder público. O BNDES entrará como agente financiador. ‘‘O projeto deve ser implementado através da iniciativa privada. Um trem moderno, com capacidade para 200 passageiros, custa cerca de US$ 1,5 milhão’’, calcula.

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