BRASÍLIA - Os produtores rurais são favoráveis à proposta do governo de ampliar o limite de custeio de R$ 30 mil para R$ 150 mil para o financiamento de várias culturas na próxima safra, mas observam que, para isso, é preciso aumentar o volume de recursos à disposição dos agricultores. O chefe do Departamento Técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, lembra que a medida deverá ‘‘aumentar a concorrência por recursos escassos’’.
Em sua avaliação, o governo precisa colocar à disposição do produtor rural um volume maior de recursos das exigibilidades bancárias (parcela de 25% dos depósitos a vista que deve ser aplicada na agricultura) do total que foi destinado na safra passada, no montante de R$ 4,4 bilhões. ‘‘O governo está falando em R$ 5 bilhões de exigibilidades, mas com R$ 1,6 bilhão já comprometidos com a securitização, resultaria em R$ 3,4 bilhões’’, disse Beraldo.
Dinheiro O volume global de recursos para a próxima
safra poderá ser até um pouco superior aos R$ 8 bilhões já anunciados pelo ministro da Agricultura, Arlindo Porto, segundo técnicos do Ministério da Agricultura. O coordenador geral de análises econômicas do ministério, Edilson Guimarães, lembrou que a equipe técnica do governo ainda nem discutiu a parcela de recursos que deverá ser equalizada pelo Tesouro (o governo cobre a diferença entre o custo de captação e o custo do empréstimo com taxas subsidiadas ao agricultor), mas disse acreditar que, com as fontes já conhecidas, o crédito rural da safra 1997/98 poderá ter recursos acima de R$ 8 bilhões.
Guimarães avaliou que a maior dificuldade para aumentar os financiamentos de
custeio de alguns produtos de R$ 30 mil para R$ 150 mil está mesmo no aumento da procura pelos recursos. ‘‘O limite de até R$ 30 mil abrange todas as culturas, de bonsai a peixe ornamental’’, brincou o técnico, para exemplificar que qualquer produto pode ser beneficiados com o financiamento mínimo de custeio onde estão incluídas a soja, pecuária, avicultura, suinocultura e outros.
Soja Guimarães observou que o caso da soja, hoje incluída nas culturas com menor limite de financiamento, pode dar uma dimensão da dificuldade de se ampliar o número de produtos com custeio de R$ 150 mil. ‘‘A soja, atualmente com limite de R$ 30 mil, leva quase 40% do total de recursos do crédito rural’’, disse. Já o coordenador da área agrícola do Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Evandro Fazendeiro, lembrou que o produtor que planta soja muitas vezes também planta milho para fazer a rotação de culturas, o que poderá atenuar a maior procura pelo crédito.
Tanto Guimarães quanto Fazendeiro ressaltaram, no entanto, que todas as medidas para o próximo plano de safra ainda estão em discussão. Guimarães disse que está em análise no grupo de coordenação de política agrícola uma idéia de se aperfeiçoar o sistema de preços mínimos regionalizados, que já ocorre hoje com o milho. A intenção do ministro Arlindo Porto é anunciar o plano de safra ainda na primeira quinzena de junho e esta semana será decisiva para a finalização da proposta da área técnica do governo.

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