Arquivo FolhaCorrida pelo dólar: sem ‘teto’A principal incerteza do mercado hoje é o comportamento do preço do dólar num ambiente de livre flutuação cambial. Desde que o Banco Central (BC) decidiu liberar o câmbio, a moeda norte-americana não pára de subir, tendo fechado na sexta-feira cotada por R$ 2,07, em alta de 70,90% desde o dia 13, quando houve a primeira alteração na política cambial. A pergunta que todos se fazem é: quando e em que nível o dólar vai estabilizar-se? Boa parte dos analistas acredita que, após uma valorização exagerada, o dólar tende a cair e a acomodar-se entre R$ 1,50 e R$ 1,70.
O nível de estabilização do dólar é que vai definir o impacto da desvalorização do real sobre a inflação. Quanto maior a desvalorização, mais forte será o impacto inflacionário e maior o período em que o governo terá de manter juros altos.
O diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, entende que, se o BC deixar o câmbio flutuar livremente, sem intervir no mercado, chegará um momento em que a cotação do dólar, depois de subir muito, começará a recuar. Segundo ele, isso ocorrerá porque se vai atingir uma taxa de câmbio tão elevada que os exportadores passarão a fechar contratos, os investidores estrangeiros acabarão comprando empresas brasileiras e entrando nas Bolsas domésticas, pois elas ficarão muito baratas em dólar, enquanto as importações ficarão muito caras.
Enviar dinheiro ao exterior também seria pesado, pois os reais comprariam menos dólares. Apenas quem não pode produzir sem componentes importados e tem compromissos inadiáveis no exterior é que mandaria dinheiro para fora do País. Com isso, o fluxo de dólares tenderia a ficar positivo, e as cotações do dólar cairiam. Allain explica que a vantagem dessa estratégia é que, embora o dólar possa subir muito num primeiro momento, o País não perde reservas. Se, em vez disso, o BC passar a atuar para tentar segurar o dólar, há o risco de as reservas começarem a cair.

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