Curitiba A operadora Soccepar, pioneira no embarque de grãos no Porto de Paranaguá, obteve esta semana, na Justiça Federal, uma liminar para concluir uma obra no local. De acordo com o diretor do grupo, Theodoro Peratello, a empresa tinha autorização, desde 2002, para investimentos na ampliação da capacidade de operação e as obras foram embargadas judicialmente à pedido da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) quando 85% do projeto estava concluído.
A Soccepar está investindo R$ 6 milhões na substituição de um antigo Ship Loader (equipamento que leva carga até o navio) que movimentava 300 toneladas por hora, por outro com capacidade para movimentar até 1,5 mil toneladas por hora. A modernização das instalações consta de um contrato de arrendamento firmado entre o grupo exportador e a APPA, em 2001, com duração até 2012.
Segundo Peratello, o superintendente do porto, Eduardo Requião, determinou o embargo das obras quando ela já estava quase pronta, alegando desconhecimento e falta de autorização. ''Como desconhecer uma obra de quase 14 andares?'', perguntou. O executivo disse que todo o questionamento da Soccepar está embasado em documentos entregues à Justiça Federal. Segundo ele, dentro de 20 a 30 dias, as obras estarão concluídas por força de liminar.
''Se o terminal vai operar com o novo equipamento, acho que vai ser outra briga'', disse Peratello. O embargo chegou ao deputado federal Eduardo Sciarra (PFL), que ontem denunciou o ''desmando'' na Câmara dos Deputados.
''Infelizmente, o Porto de Paranaguá, como principal porto de exportação de grãos do País, vem enfrentando dificuldades cada vez maiores por causa das várias irregularidades, comprovadas em Relatórios da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e confirmadas em visitas dos membros da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados'' afirmou. Para o deputado, ''o trágico é que, além de não investir na melhoria das instalações, a direção do porto ainda infernize a vida das empresas que investem na área portuária''.
Por conta dessa denúncia, Peratello disse que um dos diretores do grupo foi alvo de retaliações. O diretor foi intimado a comparecer na Delegacia de Polícia de Paranaguá para esclarecimentos a respeito de notícia-crime (efetuada pelo superintendente Eduardo Requião) por crime ambiental, roubo de patrimônio público, desobediência à autoridade.
Os operadores portuários não costumam se manifestar publicamente temendo retaliações, mas comentam que esse é um dos desmandos que vem ocorrendo no porto paranaense. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, ''não é bricandeira as situações que os exportadores enfrentam para continuar operando em Paranaguá''. ''A gente sabe que, individualmente, os exportadores têm desentendimentos com a atual administração''.
A Folha tentou vários contatos com a assessoria da APPA, mas não foi atendida.

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