Liminar de importador pára a produção de indústria de doces
Liminar de importador pára a
produção de indústria de doces
Emerson Cervi
De Curitiba
José SuassunaEMPREGO AMEAÇADOFuncionários da Buschle parados ontem; detalhe dos dois pirulitos mostra que são diferentesA indústria de doces Buschle Alimentos Ltda, em São José dos Pinhais, está com sua principal linha de produção paralisada há três dias. Uma liminar judicial concedida pela 5ª Vara Cível de Curitiba à empresa Topps do Brasil Ltda proibiu a produção do pirulito Flash Pop, desenvolvido pela Buschle. Com isso, 129 dos 240 funcionários da fábrica não podem trabalhar.
A alegação da Topps do Brasil, subsidiária da Topps Company Inc, dos Estados Unidos, é que o produto paranaense seria uma imitação do pirulito Push Pop, importado de Taiwan. Segundo a importadora, a Buschle estaria fazendo concorrência desleal. O projeto do meu produto foi desenvolvido durante um ano e meio em parceria com professores do Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica), tenho todos os registros legais e o Flash Pop nem se parece com o pirulito deles, afirma Evaldo Antonio Buschle, dono da Buschle Alimentos.
Além de doce, o Flash Pop também é um brinquedo. Ele tem uma luz vermelha que é acionada por um toque na base da embalagem. Depois que o caramelo termina, o pirulito vira um pequeno farolete. O doce importado de Taiwan não vem com brinquedo.
Segundo um dos advogados de Evaldo, Danilo Cesar de Castro, o pedido de liminar induziu o juiz a erro. Além de não haver nenhuma similaridade, o Flash Pop é produzido no Brasil e o outro doce é importado. Os advogados pediram cassação da liminar e esperam a sentença para hoje. Depois que conseguirmos provar que o produto da Buschle não é uma imitação do importado, passaremos para a segunda etapa que será o julgamento do mérito e cobraremos os prejuízos causados pela ação.
Quando foi lançado, no começo de agosto, a Buschle vendia 20 caixas com 240 unidades por dia do Flash Pop. Um mês depois ele estava comercializando 300 caixas diariamente. O que aconteceu foi que nosso produto estourou no mercado e as vendas do concorrente caíram porque os preços são similares e as crianças preferem o doce que vem com brinquedo, disse o dono da indústria. Me obrigar a parar de produzir não é justo porque eu estou dando empregos no Brasil e não em outros países. O pirulito que vira farolete de brinquedo tem o nome e o design registrados no Ministério da Saúde e reconhecidos pelo Instituto Falcão Bauer, órgão que inspeciona alimentos destinados ao público infantil.





