Itamar Miranda/AE
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Negócio feitoEncerramento do leilão de privatização da Eletropaulo, na Bovespa, ontem: protestos marcaram a vendaO consórcio liderado pela Light é o vencedor do leilão de privatização da Eletropaulo Metropolitana, com a oferta pelo preço mínimo, sem ágio por R$ 2.026.704.160,00. O prazo de concessão é de 30 anos, para a área da Grande São Paulo. A Metropolitana é a maior empresa de distribuição da América Latina, atendo a 4,311 milhões de consumidores e com vendas de R$ 3,374 bilhões em 97 (ou cerca de 35 mil GWh). Não houve interessados para o leilão de privatização da companhia Bandeirantes, uma das empresas da Eletropaulo.
Às 9 horas um ofício judicial suspendeu o leilão. Mas uma hora depois uma medida judicial permitiu o reínicio dos trabalhos. A entrega da proposta de compra da Metropolitana, apresentado pela Corretora Brascan, representante do consórcio liderado pela Light, foi feita rapidamente. O leilão estava consumado. O governador Mário Covas (PSDB) deixa a sede da Bovespa e é vaiado por populares em frente à Secretaria dos Negócios de Esportes e Turismo. O governador bate boca com os manifestantes.
A venda da Eletropaulo Metropolitana sem qualquer ágio frustrou as expectativas do governo paulista, que considerava esse leilão como estratégico para alavancar o PED (Programa Estadual de Desestatização). Embora tentasse disfarçar a decepção, o próprio governador Mário Covas (PSDB) admitiu que a privatização da empresa foi um ‘‘sucesso parcial. ‘‘Não foi decepcionante. Alcançamos um sucesso parcial na venda. É claro que eu esperava que o ágio fosse de 300%, mas isso não aconteceu, paciência , disse Covas logo após o leilão na Bovespa, no centro de São Paulo.
Além de ter vendido pelo preço mínimo a Eletropaulo Metropolitana, que será a maior distribuidora de energia da América Latina, o governo paulista não conseguiu vender a Bandeirante, outra subsidiária da Eletropaulo. Com isso, todo o cronograma de privatização do setor elétrico será atrasado. ‘‘A venda da Bandeirante vai ser rediscutida no PED. O fato de não terem aparecido compradores foi uma questão de mercado’’, disse, evasivo, o vice-governador Geraldo Alckmin, um dos coordenadores do programa de desestatização.
Ontem, já havia sido dado por cancelado o leilão de 36,69% das ações ordinárias da Empresa Paulista de Transmissão de Energia. Nenhuma das empresa que haviam se apresentado na fase de pré-identificação depositou a garantia de 10% do preço mínimo. Em função disso, governo já cogita a possibilidade de desistir da venda. ‘‘Podemos ficar com a transmissora inteira. Mas, se tiver de ser vendida, a gente vai ter de repensar o processo, que, tal como está, já mostrou que não obtém interessados’’, declarou.
O dinheiro da privatização da Metropolitana vai ser usado, maciçamente, para abater as dívidas do Estado e somente 10% para investimentos sociais. ‘‘Aqui em São Paulo, privatiza-se tudo para pagar dívidas das administrações passadas, débitos do Maluf , ironizou o governador.
O presidente do Conselho de Administração da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Benjamin Steinbruch, afirmou ontem que ‘‘não há a menor chance de se repetirem em São Paulo os efeitos Light, que foram sazonais e específicos do Rio de Janeiro’’. A CSN é uma das controladoras da Light, a distribuidora que atende a cerca de 80% dos consumidores do Estado do Rio. Depois de protagonizar uma série de quedas e cortes de energia durante o verão, a Light foi auditada e multada em 0,1% do seu faturamento.

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