Líderes reclamam atraso na liberação de crédito
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terça-feira, 16 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Depois de anunciar um total recorde de recursos para o financiamento da safra 97/98, com R$ 8,5 bilhões apenas para o custeio, o governo enfrenta reclamações das entidades representativas de produtores rurais e de parlamentares, de que o dinheiro não está chegando ao campo. O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, deverá receber hoje, quando retornar ao Brasil, um relatório do Banco Central com o total de recursos já liberados pelos bancos.
Os deputados da bancada ruralista garantem que não há recursos para médios e grandes produtores, com juros de 9,5% ao ano, conforme o prometido, e ameaçam se posicionar contra o governo caso o problema do crédito rural não seja resolvido. O presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara, Hugo Biehl (PPB-SC), acredita que a ameaça tem fundamentos. O parlamentar diz na sua base que conseguiu aumentar o crédito para a safra, e agora vai ter de fazer uma opção: ou fica com o governo ou encara a realidade, avalia.
O superintendente-executivo da Unidade Estratégica de Negócios do Banco do Brasil (BB), Biramar Nunes, admitiu que não há recursos com juros de 9,5% ao ano para financiamento do crédito rural neste mês de setembro, mas garantiu que a liberação será normalizada em outubro. Ele atribuiu as dificuldades do BB à liberação antecipada de recursos na atual safra.No ano passado, começamos a financiar os produtores em setembro e, neste ano, estamos liberando recursos desde julho, afirmou.
Segundo Nunes, nos meses de julho e agosto o BB liberou R$ 1,250 bilhão para a safra, sendo R$ 650 milhões apenas para médios e grandes produtores. No ano passado, até setembro o BB só havia liberado R$ 560 milhões, no total. Para a atual safra, ainda resta a cargo do BB, maior agente do crédito rural, R$ 1 bilhão para o financiamento aos produtores fora do Pronaf e Proger (pequenos produtores), mas o dinheiro terá de atender até a colheita da safra. Nunes confirmou ainda que o BB não está emprestando dinheiro novo aos produtores que não pagaram a primeira parcela da securitização que vence em 31 de outubro ou não conseguem comprovar ao banco que terão como pagar o débito.
O chefe do Departamento Técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, disse que os produtores estão reclamando da não-liberação de recursos e da exigência do BB de só financiar aqueles que comprovarem a possibilidade de pagar a securitização. Beraldo informou que a CNA está tentando fazer um levantamento junto às federações de agricultura para saber a situação real de liberação de recursos do crédito rural nos estados.


