Os presidentes dos países do Mercosul apóiam o presidente argentino, Eduardo Duhalde, e torcem pela volta da estabilidade no país. Essa é, na avaliação do embaixador do Brasil na Argentina, José Botafogo Gonçalves, a principal mensagem da reunião que ocorre hoje na residência oficial de Olivos, da qual participam os presidentes dos quatro sócios do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), mais Chile e Bolívia.
‘‘A visita ajudará a transmitir para a comunidade internacional que o Mercosul apóia esse governo’’, comentou o embaixador. Na sua avaliação, embora o momento mais agudo da crise já tenha passado, o país ainda enfrenta uma conjunção de crises financeira, política, econômica e institucional. ‘‘Se a Argentina precisa desse apoio, é porque enfrenta problemas’’, admitiu.
O temor já expressado por autoridades do governo brasileiro é que, levada ao limite, a crise poderia trazer consequências para toda a região.
Segundo Botafogo, os países do Mercosul querem que Duhalde permaneça no cargo porque ‘‘não há alternativa melhor do que essa.’’ Os chamados ‘‘panelaços’’ ou ‘‘argentinaços’’ que vêm ocorrendo nas 24 horas do dia já se tornaram rotina na paisagem portenha. Não são poucos os que pregam a derrubada de Duhalde. Mas na avaliação de Botafogo o presidente argentino conseguiu, bem ou mal, reunir uma maioria que lhe dá apoio no Congresso, e é de interesse dos países do Mercosul que esse embrião de estabilidade política seja preservado.
As conversas ocorrerão hoje à noite. O presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, ficarão hospedados na residência de Olivos. Estava programado um tête-a-tête dos dois presidentes, seguido de um jantar do qual participariam também Lafer e o chanceler argentino, Carlos Ruckauf.

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