Líderes cobram transparência do Estado
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sábado, 16 de dezembro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
Empresários e políticos lançaram ontem a campanha pela transparência do Estado, com enfoque principal no resgate das ações da Copel que serviram para caucionar os precatórios recebidos pelo Banestado dos estados de Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas, Osasco e Guarulhos. As ações da Copel, no valor total de R$ 415 milhões, foram dadas como garantia de que o Estado cobriria esta dívida no saneamento do banco.
Elas deveriam ter sido resgatadas no dia 31 de dezembro de 1998, mas o Estado pediu uma dilação de prazo para o dia 31 de dezembro deste ano. O Estado não tem qualquer opção. Ou consegue mais uma dilação de prazo, ou terá que resgatar as ações. Caso contrário, ele perderá o controle acionário da Copel para o Itaú novo contralador do Banestado, alertou o senador Osmar Dias (PSDB-PR).
O valor atual das ações caucionadas, de acordo com os cálculos feitos pela assessoria do senador tucano, estaria em R$ 654 milhões, o correspondente a 32,92% do total das ações do Estado com direito a voto. Se perdê-las, o governo fica com apenas 25,68% destas ações. Até mesmo a privatização ficaria inviabilizada, considerou Osmar.
O Estado tenta uma negociação com a diretoria do Itaú para pagamento da dívida em 2001. Mas até agora, não se chegou a qualquer tipo de acordo. Sempre há uma composição. Não vamos perder o controle acionário da Copel, garantiu o ex-governador Jayme Canet, que se disse a favor da privatização, mas a longo prazo. A grande preocupação dele é com a condução do processo de moralização do Estado. Temos que resgatar a moral do Estado. É mais importante do que ficar discutindo valores, salientou Canet.
O ex-governador Emílio Gomes também disse estar preocupado com a situação financeira do Estado. É lamentável. Temos que encontrar uma saída para satisfazer os paranaenses. O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP) entidade que está promovendo a campanha, Marcos Domakoski, disse que a intenção é fazer um movimento apartidário, com vistas no resgate da moralidade.
Osmar Dias se colocou à disposição do governador Jaime Lerner para servir de interlocutor nas negociações com a diretoria do Itaú. Se o governador quiser, eu me sento na mesma mesa que ele e seus técnicos e discutimos uma saída para tudo isto. Com ou sem a presença da imprensa, salientou. O senador lembrou ainda que o Estado passa por grandes dificuldades econômicas. Em 1995, a dívida pública seria de R$ 1,9 bilhão e passou em 2000 para R$ 13,4 bilhões. Esta situação não vai acabar bem, caso não se reverta a atual situação, insistiu ele.
À tarde, o secretário da Comunicação Social, Rafael Greca, emitiu nota oficial acusando os senadores Alvaro Dias e Osmar Dias de criar um factóide para ganhar espaço na imprensa. Eles não estão interessados em preservar o patrimônio da Copel, mas em atrapalhar o nosso governo no seu trabalho necessário de reforma do Estado, afirmou.
Greca disse ainda que o resultado da negociação sobre o resgate das ações da Copel será amplamente divulgado, conforme a reivindicação de transparência dos empresários. Um indicativo dessa transparência por parte do governo, segundo o secretário da Comunicação, foi a presença do secretário da Fazenda Ingo Hubert, que esteve no início dessa semana na Associação Comercial para falar sobre a negociação com os novos controladores do Banestado.


