Líderes cobram política sólida
A queda vertiginosa da participação do agribusiness na formação do PIB brasileiro vem sendo registrada desde o Plano Collor, na opinião do presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edson Ponti. E a parte mais prejudicada da composição do setor é a agricultura, ou seja, da porteira para dentro da propriedade.
Ponti atribui o resultado, principalmente, aos sucessivos planos econômicos, que tiveram a agricultura como âncora. Os preços de nossos produtos foram reduzidos drasticamente no Plano Collor e caíram, violentamente, no Plano Real. Fomos a âncora verde do processo, segurando a inflação. Enquanto a cesta básica subiu 5%, os outros preços tiveram alta média de 70%.
O presidente da Corol e vice-presidente da Organização das Cooperativas do Paraná, Eliseu de Paula, complementa que, nos últimos 10 anos, passaram pela pasta da Agricultura 14 ministros. Todos falaram em incentivos e, no entanto, continuamos nos mesmos patamares na produção de grãos. Além da falta de incentivos, descaso e abandono, Eliseu de Paula acrescenta à lista de obstáculos para o desenvolvimento do setor a incapacidade de investimentos dos agricultores. Para nós, só sobraram dívidas.
Para presidente da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), José Aroldo Gallassini, os números da pesquisa Embrapa/IBGE mostram que o governo precisa traçar uma política mais agressiva em favor da produção agrícola e agroindustrial.
Ele citou como exemplo o déficit na indústria da soja, que já fechou várias empresas e vai quebrar muito mais. Perdemos valor agregado e, com isso, perdemos emprego e renda, disse Gallassini.
O presidente da Coamo lembra ainda que o País ficou cerca de 20 anos com a produção agrícola estagnada.(Benê Bianchi e Sid Sauer )





