Representantes do setor agropecuário, deputados estaduais e membros da Secretaria da Agricultura e Abastecimento decidiram ontem criar a Câmara Setorial de Seguro Rural. Eles acreditam que a Câmara irá agilizar a implantação do seguro agrícola, instrumento que garantirá a produção no Estado. O modelo e a agenda de implantação do seguro devem ser discutidos na próxima semana com o secretário da Agricultura, Hermas Brandão. Em seguida, eles devem marcar uma audiência com o governador Jaime Lerner para apresentar a proposta.
A intenção dos produtores é agilizar a criação do seguro, que hoje já existe em Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul. Um dos modelos mais eficientes é o da Companhia de Seguros de São Paulo (Cocesp), que cobre 50% das atividades agrícolas, em caso de perdas. No caso gaúcho, há um seguro que abrange as perdas dos produtores de uva.
O sistema mais conhecido de seguro agrícola é o Proagro, que garante parte da produção para os agricultores que tomam financiamentos junto ao Banco do Brasil. Mas desde o ano passado, o Proagro não cobre perdas relativas a situações climáticas, como chuvas ou secas.
No ano passado, os produtores de trigo perderam 150 mil toneladas do produto por causa da seca que atingiu a região oeste do Estado. O prejuízo foi de R$ 25 milhões e não houve cobertura do Proagro. ‘‘O Proagro é um seguro de crédito e não seguro agrícola de fato. Ele não atinge objetivos, porque cobre apenas o que é liberado pelos bancos para financiamento’’, afirmou o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski.
O Seguro Rural tem o objetivo de garantir os riscos que o produtor pode ter com o plantio da safra. Os agricultores e pecuaristas teriam a certeza que em caso de perdas seriam ressarcidos. O problema ainda está em definir quem iria custear este ressarcimento. Os setores agrícolas querem a participação do Estado, que poderia se dar através da formação de um fundo. ‘‘O governo poderia liberar um volume de recursos para aplicar no seguro’’, afirmou o presidente do Bloco Agropecuário, deputado Orlando Pessuti (PMDB).
Mas o governo não pensa em colocar dinheiro em um projeto da iniciativa privada. ‘‘Não compete ao governo comprar, vender ou segurar investimentos no setor privado’’, afirmou o diretor geral da Secretaria da Agricultura, Clóvis Pena. Ele disse ainda que o governo não teria condições financeiras para garantir fundos para a atividade. Segundo Pena, o governo pode seguir exemplos de outros Estados e adotar um modelo em parceria. O Estado entraria com o apoio logístico e com a infraestrura. Uma das propostas discutida entre agricultores e a Secretaria é a colocação da Seguradora Banestado como parceira no processo.

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