Lideranças consideram tímida redução da Selic
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quinta-feira, 18 de março de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Repercutiu mal entre algumas das lideranças políticas do Paraná a redução da Selic em 0,25%, decidida anteontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski, e o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Estado (Sinduscon-Norte), José Roberto Hoffmann, entenderam como enganosa e tímida a redução dos juros básicos da economia do País de 16,5% para 16,25%. O professor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanderlei Sereia, destacou, no entanto, os efeitos psicológicos da medida frente ao empresariado.
''Essa queda pode ser considerada no mínimo, tímida, e não resolve'', destacou Hoffmann. Segundo o presidente do Sinduscon-Norte, juros básicos razoáveis para o monento do País transitariam entre 13% e 14%. ''Só assim os investidores sentirão vantagens mais significativas para não deixar o dinheiro nos bancos e colocá-lo no setor produtivo'', afirmou.
A taxa sugerida por Hoffmann é considerara por analistas como a meta do Banco Central somente para o final de 2004. O presidente do Sinduscon, porém, não acredita que a Selic alcance esse patamar nos próximos nove meses. ''Com esse gradualismo não vai dar.''
Seguindo a mesma tendência crítica, o presidente da ACP respaldou sua posição com a afirmação de que a maioria do empresariado no País mostra-se descontente com os rumos da política econômica adotada pelo BC para o início de 2004. ''Os índices inflacionários estão baixos porque não há poder de compra nem consumo'', frisou. ''A redução foi bem-vinda, mostrou sensibilidade, mas não pode ser somente simbólica.''
O economista Vanderlei Sereia reiterou a posição dos dirigentes paranaenses quanto à falta de efeitos práticos da redução da Selic em 0,25% para qualquer setor produtivo. No entanto, Sereia destacou os efeitos psicológicos da medida que, segundo ele, expõe a quebra do endurecimento da política econômica adotada desde janeiro. ''Melhores condições de investimento e crédito só serão criadas com queda relevante da Selic, mas as novas expectativas criadas com essa redução criam um clima positivo que já ajuda'', conclui.


