Curitiba Lideranças agrícolas do Paraná aplaudiram a aprovação da Lei de Biossegurança no Senado, que permite o plantio de transgênicos no País. As lideranças reconheceram o esforço dos senadores em esgotar o debate sobre o assunto, que resultou na aprovação por unanimidade de quase todas as lideranças partidárias, disse ontem o superintendente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken.
De acordo com Ricken, as cooperativas defendem a legalidade do plantio de soja transgênica para que o produtor possa optar livremente se quer plantar o produto geneticamente modificado ou não. Ele disse que acredita na aprovação do projeto de lei pela Câmara dos Deputados já que o assunto foi debatido com profundidade no Senado.
Caso a Câmara não avalie o projeto até novembro, Ricken disse que o presidente da República terá respaldo legal para editar uma Medida Provisória permitindo o plantio de transgênicos, diante da aprovação dos partidos sobre o tema no Senado.
Na Federação da Agricultura do Paraná, a aprovação da Lei de Biossegurança foi recebida com reservas. O assessor econômico Carlos Augusto Albuquerque disse que não foi o ideal, ''mas melhor que nada''. Albuquerque criticou o fato da lei conter emendas que permite mais um recurso em caráter político, que é a consulta a um conselho de 11 ministros em caso de divergências técnicas. Para ele, a decisão política já foi tomada quando o presidente enviou o projeto de lei ao Congresso.
Apesar da aprovação da lei, Albuquerque acredita que o presidente da República vai acabar editando uma MP para legalizar o plantio de soja transgênica. Ele destacou que o importante da lei é que ela vai permitir a multiplicação de sementes em campo para o plantio da safra 2005/2006. Assim, o produtor vai plantar a semente ''Maradona'', conhecida por ser contrabandeada da Argentina, embora saiba que sua produtividade é inferior à da soja convencional.
Segundo Albuquerque, o produtor paranaense está ansioso por experimentar o plantio da soja transgênica para verificar se vale a pena ou não. ''No ano passado, quando o produtor assinou o Termo de Conduta com o Ministério da Agricultura, ele plantou apenas uma área mínima, para seu próprio experimento'', disse.

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