Lideranças anunciam pressão política
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sexta-feira, 04 de agosto de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
As lideranças paranaenses ficaram frustradas, ontem, com as medidas anunciadas pelo governo em apoio à agricultura do Paraná que sofreu prejuízos provocados pelas geadas. Elas consideram que a principal reivindicação, que são as dívidas diretas dos agricultores junto aos fornecedores que somam R$ 210 milhões, não foi atendida.
Com isso, a Faep, Ocepar, Fetaep, Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e os deputados da bancada estadual vão a Brasília na próxima terça-feira, onde pretendem pressionar o governo para que atenda às reivindicações do setor. Antes, eles se reúnem com a bancada federal para traçar estratégias para sensibilizar os ministros da área econômica.
O governo anunciou a renegociação das dívidas de custeio, contraídas sem seguro, junto ao sistema bancário até o valor de R$ 30 milhões. E também a renegociação de dívidas de investimento até o valor de R$ 10 milhões. A parcela que seria paga com a safra atingida pela geada foi prorrogada para o ano seguinte após a última prestação. Para João Paulo Koslovski, presidente da Ocepar essa medida já está prevista no Manual de Crédito Rural (MCR), por cláusulas contratuais e não representa nenhum favor.
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, também demonstrou sua frustração. Segundo ele, se as reivindicações do setor não forem atendidas deverá se agravar o problema social porque os agricultores não terão condições de recuperar as lavouras. Ele acusa o governo de não atender ao setor cafeeiro, parte do setor canavieiro e de não atender ao pleito para destinar recursos para o fundo de aval, que iriam atender a pequenos e miniprodutores.
Outro ponto que precisa ser atendido, segundo Meneguette, são os recursos para emergência aos produtores que não tiveram financiamento oficial, mas que se endividaram ou utilizaram recursos próprios para o custeio das lavouras. As dívidas diretas junto aos fornecedores, postos de gasolina e cooperativas somam R$ 210 milhões, sendo que R$ 150 milhões só com as cooperativas.
A Fetaep também não ficou nada satisfeita com as medidas anunciadas pelo governo. O representante da entidade, Sergio Gutierrez, disse que as medidas não resolvem. A principal crítica refere-se à falta de critérios para estabelecer quais dívidas poderão ser prorrogadas ou não. Se o governo limitou a prorrogação em R$ 30 milhões, pode atender a cinco grandes produtores rurais e aí acaba o crédito. A falta de critérios deixa a situação nebulosa para os pequenos que não podem ser enquadrados nessas medidas de apoio, acredita.
Fundo de Aval Para o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, as medidas anunciadas pelo governo não atendem às necessidades do setor. Não incluem, por exemplo, o Fundo de Estabilidade do seguro rural, nem o Fundo de Aval para que o risco não seja limitante aos contratos de financiamento. Ponti também observou que o governo incluiu no pacote de emergência medidas que já havia definido e que faziam parte do plano de safra. Colocaram como se fosse novidade para sugerir a idéia de um bom volume de recursos; na verdade - em alguns casos - apenas repetiram informações sobre medidas já conhecidas, segundo Ponti.


