GOMA, Zaire - O comandante militar da Aliança dos rebeldes zairenses, que controla a região de Kivu (leste do país), anunciou ontem o reinício da ofensiva de suas tropas no interior do Zaire com vistas a depor o presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko.
Durante uma reunião de 5 a 10.000 pessoas em Goma (capital de Kivu Norte), o comandante Kisassi Andre Ngandu também pediu aos jovens zairenses se unirem às suas forças e aos soldados governamentais a ‘‘deporem as armas’’, mas sem fazer nenhuma menção sobre a força internacional que, em princípio, deverá intervir na região.
Expressando-se em suahili, o dialeto mais falado na região, Ngandu se apresentou como comandante militar da Aliança das Forças Democráticas para a Liberação de Congo-Zaire, ao indicar que Laurent Desiré Kabila era o chefe político do movimento.
O público, por seu lado, não manifestou entusiasmo. Alguns cartazes diziam ‘‘Não aos representantes das forças mobutistas, Sim ao diálogo’’, ou ‘‘Não à França no Zaire por seu protetorado do ditador Mobutu’’.
‘‘Estávamos bloqueados pelos refugiados. Agora que a questão dos refugiados se solucionou, continuaremos avançando’’, declarou o comandante.
Há mais de 20 dias, pouco depois que os rebeldes tomaram o controle de Goma e de Bukavu (capital de Kivu Sur), Kabila decretou o cessar-fogo unilateral de três semanas para que se pudesse socorrer os 1,2 milhão de refugiados ruandeses e burundineses instalados em Kivu.
Os refugiados hutus ruandeses estavam paralisados entre os combates entre os rebeldes tutsis zairenses e o exército zairense, que recebeu o apoio dos ex-militares e para-militares ruandeses que estão na região.
Atualmente, os acampamentos de refugiados da região de Goma estão quase vazios, pois a maioria já voltou a Ruanda, mas há outros 500.000 na região de Bukavu.

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