Curitiba A Sandoz, maior fabricante mundial de medicamentos genéricos, anunciou ontem que irá transferir a produção de genéricos da Novartis em São Paulo para a fábrica da Hexal construída em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Com a decisão, a unidade paranaense passará a produzir 55 medicamentos que são atualmente importados e outros 100 remédios genéricos que estão sendo produzidos na indústria paulista. De acordo com o diretor-geral da Sandoz, Paulo Muradian, o protocolo de intenções assinado entre a Hexal (que foi comprada pelo Grupo Novartis) e o governo do Estado vai ser mantido e até antecipado.
O acordo previa a geração de 500 empregos diretos até 2007 e investimentos na ordem de R$ 108 milhões. Até julho, foram investidos na unidade de Cambé cerca de R$ 120 milhões. A empresa tem 300 funcionários e terá 500 até o final deste ano. Os novos operários irão trabalhar na área produtiva. ''Estamos dobrando o nosso portfólio'', ponderou Muradian. A fábrica ocupa uma área de 300 mil metros quadrados e tem capacidade para produzir até 6 milhões de unidades por mês. Apenas 50% da capacidade estava sendo utilizada. Imediatamente, a capacidade será atingida em 70%. Até 2007, a previsão é de 100% da capacidade esteja sendo usada.
A fusão entre a Hexal e a Novartis foi mundial e custou ao todo cinco bilhões de euros. No ano passado, o Grupo Novartis vendeu US$ 28,2 bilhões e teve um lucro líquido de US$ 5,8 bilhões. Em todo o mundo, são 81,4 mil pessoas trabalhando em mais de 140 países. Um dos principais motivos para o investimento realizado em Cambé foi os incentivos fiscais do Programa Bom Emprego, que tem como meta a descentralização dos investimentos industriais. ''Pudemos antecipar as metas por causa da dilação de impostos do ICMS. Estamos concentrando forças e reforçando os investimentos'', anunciou Nelson Mussolini, diretor corporativo da Novartis.
O secretário de Estado da Indústria e Comércio, Virgílio Moreira, disse que o Paraná saiu ganhando duas vezes com o anúncio da Sandoz: os investimentos que serão antecipados e a geração de empregos. O Programa Bom Emprego prevê dilação de prazo para o pagamento de ICMS de 50% a 100% dos valores a serem recolhidos por um período de quatro anos. Apenas não têm incentivo fiscal as empresas que quiserem investir em municípios como Curitiba, Araucária e São José dos Pinhais.

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