Dono da microempresa Frezarin Tecnologia, criada em 2003, o londrinense Carlos Eduardo Frezarin vem participando de licitações desde 2009, quando venceu o processo aberto pelo Sebrae para locação de equipamentos audiovisuais. Em janeiro deste ano, sua empresa deu um passo maior ao conquistar, via pregão, um contrato da Sercomtel para o aluguel de 200 computadores.
Ele conta que, no caso da Telefônica Municipal, concorreu com outras três empresas e ficou em segundo lugar entre os melhores preços, mas usou da prerrogativa que a lei dá aos microempreendedores. ''Meu preço foi menos de 10% maior que o do outro concorrente e eu pude dar um novo lance'', explica.
Apesar da pequena margem de lucro com a qual terá de trabalhar nos 36 meses de contrato com a operadora de telefonia, ele diz que valeu a pena. ''Atender empresas como a Sercomtel e o Sebrae abre portas para outros negócios'', justifica.
Para comprar os 200 computadores, ele precisou investir R$ 286 mil. Por meio do Cartão do BNDES, ele financiou 60% deste valor em 48 parcelas. Os juros são de 0,98%. Uma outra parte, Frezarin tirou do próprio bolso e o restante buscou junto a um banco privado, com juros de 4% ao mês. ''Sempre bate uma insegurança, mas, se a gente quer crescer, é preciso arriscar um pouco'', afirma.
O empreendedor acredita que a Sercomtel vai licitar o aluguel de mais de 200 computadores ainda neste ano e já se prepara para entrar na disputa. ''Hoje, os contratos que tenho com as duas empresas públicas representam 20% do meu faturamento'', conta. A Frezarin, que tem sete funcionários, já disputou licitações também na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), mas foi derrotada.
Vencer uma licitação do Sebrae também representou uma mudança na vida do motoboy Juliano Luís de Souza, 37 anos. Ele já atendia a instituição como empregado de uma empresa terceirizada. Mas neste ano decidiu participar do certame e ganhou um contrato de um ano como microempreendedor individual (MEI).
Dono do próprio negócio, Souza pode se organizar melhor e, em vez de ficar o dia todo à disposição do Sebrae, consegue fazer todo o serviço das 13 às 17 horas. E, com isso, passou a atender outros clientes. O faturamento mensal cresceu em R$ 1.000.
O motoboy pensa em participar de outras licitações. Mas, neste caso, terá de dar um passo maior. ''Vou precisar contratar um funcionário para me ajudar'', conta. A legislação permite ao MEI empregar uma única pessoa. (N.B.)

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