Licença ambiental atrasa operações
Rio de Janeiro - Dificuldades na obtenção de licença ambiental já atrasaram em quase um ano o cronograma de operações do campo de Mexilhão, na Bacia de Santos. Considerado uma das principais alternativas à Bolívia, Mexilhão deveria começar a produção em abril de 2009, segundo o planejamento inicial. As obras na plataforma e na malha de dutos submarinos estão no prazo, mas a Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba (UTGCA), que vai receber a produção, ainda depende de licença ambiental.
A UTGCA terá capacidade para movimentar 15 milhões de metros cúbicos por dia, volume equivalente à metade das importações bolivianas e receberá gás de Mexilhão, Merluza II, Tambaú e Uruguá, todas descobertas recentes de gás na Bacia de Santos. O volume é equivalente à metade das exportações bolivianas.
Fontes próximas ao projeto dizem que as obras estão praticamente paralisadas por falta de licença ambiental. A licença de instalação, emitida no fim do ano passado, foi concedida pela metade, permitindo apenas as obras de terraplenagem e estaqueamento do terreno. A primeira etapa já foi finalizada e a segunda está em fase de conclusão. ''Prometeram a licença para março, depois para julho e depois para setembro. Até agora, nada'', diz uma fonte.
Depois da emissão da licença, o consórcio responsável pelas obras, formado pelas construtoras Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Iesa, precisará de mais 21 meses para sua conclusão. Isso significa que a unidade não entrará em operação antes de janeiro de 2010, dez meses após o prazo original. O mercado estima que cada mês de atraso representa um custo adicional de US$ 6 milhões ao projeto, orçado em US$ 300 milhões.
Na primeira fase, a UTGCA movimentará 7,5 milhões de metros cúbicos por dia. Oito meses depois, atinge a capacidade máxima. Segundo analistas, a proximidade com o principal mercado consumidor coloca Mexilhão como fonte importante de gás para minimizar eventuais reduções no fornecimento boliviano. A produção do campo será inserida na malha de gasodutos em Taubaté, no Vale do Paraíba, por um gasoduto de 100 quilômetros de extensão.
O gasoduto já tem licença de instalação, assim como a parte marítima do projeto, que inclui uma plataforma - em fase final de obras - ao duto submarino que a ligará à UTGCA. Faltam, portanto, a licença para um duto terrestre de cinco quilômetros e para a unidade de tratamento do gás, que separa do produto extraído do poço o gás seco, gasolina natural e gás liquefeito de petróleo (GLP). (N.P.)





