Liberalização agrícola pode aumentar renda
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sexta-feira, 29 de abril de 2005
Nicola Pamplona<br> Agência Estado 
Rio A liberalização do comércio agrícola mundial pode garantir um aumento de 1,5% na renda dos brasileiros mais pobres, que correspondem a 40% dos empregados do setor. A conclusão é de um estudo que está sendo elaborado para o Banco Mundial (Bird) por especialistas da Universidade de São Paulo (USP). Em outro estudo, já pronto, o próprio banco avalia que a abertura dos mercados vai proporcionar um crescimento de até 18% do valor agregado da produção agrícola nacional.
''O Brasil é, entre os países em desenvolvimento, o que mais ganhará'', avalia Kym Anderson, economista do Bird, para quem o ganho no valor da produção brasileira pode chegar a 30%. Os estudos, apresentados ontem em seminário sobre a economia rural brasileira, têm como base uma visão otimista sobre o andamento das negociações, admitem os especialistas, com expressiva redução dos subsídios e tarifas sobre a troca de mercadorias. Consideram, também, que os países desenvolvidos conseguirão reduzir as barreiras impostas por nações em desenvolvimento a produtos manufaturados.
Por isso, na avaliação do professor da USP Joaquim Bento de Souza, a liberalização do comércio mundial vai provocar redução na atividade econômica nos grandes centros industriais brasileiros, principalmente Rio, São Paulo e Manaus. Por outro lado, com um desenvolvimento maior de regiões agrícolas, cerca de 235 mil brasileiros deixarão a linha de pobreza, o que significará uma queda de 0,22% no índice Gini, que mede a desigualdade social. Para Anderson, o salário de trabalhadores não-qualificados mais do que dobrará.
O cálculo já considera uma pequena perda de poder de compra resultante de um aumento previsto no preço dos alimentos com o fim de subsídios.
''Os preços vão subir, o que é bom para os produtores e ruim para os consumidores'', avisou o economista-chefe do Bird, Guillermo Perry. ''Mesmo assim, o efeito é positivo'', pondera Souza, da USP. Para Perry, porém, o desenvolvimento das famílias mais pobres vai depender de políticas internas do País, como garantir o acesso a bens de produção, serviços públicos e mercados para seus produtos. Os participantes do evento concordaram, no entanto, que é difícil que as negociações sobre a abertura dos mercado sejam concluídas no curto prazo. Quando foram iniciadas, em Doha, no Catar, em 2001, esperava-se que até este ano já houvesse um consenso.
Agora, todos correm para finalizar a rodada antes de 2007, quando começam a ocorrer eleições em países desenvolvidos, o que dificultaria o processo.


