Liberação para trigo fica para novembro
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Mariângela Herédia Agência Estado 
Na guerra por acesso a mercados em que se transformou a economia globalizada, a liberação das importações de trigo dos Estados Unidos para o Brasil pode servir de símbolo do que acontece nos bastidores das negociações em cada país. O Ministério da Agricultura já tem pronta uma minuta de portaria para discutir com a missão dos Estados Unidos que estará em Brasília de 8 a 10 de novembro, quando essa questão deverá ser finalmente definida. Apesar de várias vezes anunciada pelo próprio Ministério, a importação de trigo dos Estados Unidos ainda não está totalmente liberada.
A principal praga que restringia a entrada do produto no País, a Tiletia controversa kuhn não é mais um empecilho, mas restam outras três pragas e os americanos mandaram para a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério um extenso relatório de análise de riscos com a garantia de que elas não proliferarão no Brasil. A rigor, se os Estados Unidos quiserem exportar trigo hoje para o Brasil eles podem, desde que enviem um certificado de origem garantindo que o produto vem de área livre das pragas, explica o secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques. Mas os americanos não querem.
O adido agrícola da embaixada dos Estados Unidos, Rudd Finn, disse há alguns meses que os americanos são muito sérios e que não dariam o certificado de origem porque sabem que o trigo pode ser misturado nos portos com produtos de regiões que têm as pragas, mesmo sabendo que elas não prejudicariam as lavouras brasileiras.
As cooperativas das regiões produtoras começam a discutir a importação de trigo na próxima semana, em Porto Alegre.


