O governo libanês anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, da carne bovina com origem no Paraná, devido ao temor de contaminação pelo mal da vaca louca após a constatação da morte no Estado de um animal pela forma "não clássica" da doença. Na Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, a notícia foi considerada "surpreendente pela inconsistência técnica", já que a regionalização do embargo não é a medida a ser aplicada. Mesmo assim, na pasta não se considera evidência de riscos.
A Embaixada do Líbano no Brasil considerou o produto "não aconselhável ao consumo". Porém, o presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Afonso Kroetz, afirmou estranhar a notícia porque o Estado nem ao menos exporta gado vivo aos libaneses. "O Líbano é importador de boi vivo do Pará e já foi do Rio Grande do Sul, nunca importou do Paraná."
A embaixada informou que aguarda provas de que a carne produzida no Estado é adequada ao consumo. Kroetz, por sua vez, disse que o governo brasileiro já apresentou todos os resultados de exames que comprovam a sanidade do gado nacional. "A Venezuela não indicou restrição e grande parte do nosso gado vivo vai para lá. Só pediram mais garantias de que os animais não são alimentados com ração de origem animal", disse o presidente da Adapar.
Assim, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou ontem protocolos sanitários com a Venezuela para dar continuidade às exportações de animais vivos e carne bovina ao país. Entre janeiro e novembro de 2012, os venezuelanos importaram US$ 388 milhões de carne brasileira. O secretário executivo do Mapa, José Carlos Vaz, disse que o Brasil é transparente sobre o controle e a segurança na produção e lembrou da manutenção do risco desprezível para o mal da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina, ou EEB), segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).
Como não havia sido notificado oficialmente da restrição libanesa até o fim da tarde de ontem, ninguém do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) se pronunciou sobre o tema. O órgão apenas informou que Arábia Saudita, China, Japão, África do Sul, Coreia do Sul e Taiwan são os seis países que suspenderam importações da carne bovina brasileira. Isso porque, depois da notícia de que o Egito havia suspendido as importações de gado do Brasil, o ministro da Agricultura do país, Salaah Mohammed Abd Almo'men, desmentiu a informação no último domingo.

Caso antigo
O governo brasileiro anunciou no último dia 7 de dezembro que um animal que apresentou um agente da EEB morreu no Paraná em dezembro de 2010. Kroetz afirmou que a demora é comum pelo grande número de exames feitos por meio do programa de prevenção . "Houve a degeneração de células nervosas que um animal de idade desenvolveu, e não contágio", disse.
Para o presidente da Adapar, a especulação sobre o tema é "política, comercial e midiática". "São casos em que os importadores tentam aproveitar para negociar preços e contratos", afirmou. O Mapa deu até março para os países com embargo à carne brasileira retirarem a medida, ou o governo brasileiro registrará queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC).(Com agências)

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