Brasília - Apesar de toda pressão por mais gastos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deixará de cumprir as metas fiscais deste ano. A garantia foi dada ontem à Agência Estado pelo secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. ''O governo tem um compromisso inequívoco com as metas'', afirmou. Segundo ele, limites serão impostos nas negociações com os servidores sobre reajustes salariais e as despesas, sob nenhuma hipótese, correm o risco de ficar ''à deriva''.
Levy classificou como ''falta de perspectiva'' a acusação feita pelo banco americano JP Morgan de pouco avanço na agenda de reformas do País. Na avaliação do secretário, são ''bastante pontuais'' os reajustes pedidos até agora pelos servidores, e as contrapropostas que estão sendo apresentadas pelo Executivo estão em linha com a política de ajuste fixada. ''O governo tem reagido com serenidade e sem pôr em risco as metas fiscais'', comentou Levy.
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, também rebateu ontem as avaliações de bancos internacionais. ''Não vou comentar relatório de banco. Eu comento as minhas avaliações e elas indicam que a economia brasileira vai ter um bom desempenho neste ano'', disse ele.
Para Palocci, o equilíbrio fiscal é um ''compromisso de ouro'' do governo e será cumprido, neste e nos próximos anos, como está indicado no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), encaminhado quinta-feira ao Congresso. Quanto ao cenário internacional, o ministro afirmou que o ajuste já realizado nas contas externas deixou o País preparado para enfrentar eventuais turbulências, que não irão ocorrer, acredita Palocci.
''Não acredito que a economia mundial vai ser adversa neste ano. Será um ano de crescimento econômico não apenas para o Brasil mas também para o mundo'', disse ele, pouco antes de iniciar sua palestra no 3º Fórum Empresarial, promovido pela Lide - Grupo de Líderes Empresariais.
Minutos após ser cumprimentado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e iniciar sua exposição no seminário, o ministro da Fazenda deu uma declaração forte sobre seu compromisso com os pilares macroeconômicos herdados no governo passado. Ao comentar que está dando continuidade à política econômica de FHC, Palocci disse não se sentir ofendido. ''Se é igual e estiver correto, vou continuar fazendo isso por mais dez anos'', afirmou, ganhando aplausos calorosos dos cerca de 300 participantes do seminário, sendo a maioria empresários do eixo Rio-SP.

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