São Paulo - O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, defendeu ontem a manutenção de um superávit primário entre 3% e 4% nos próximos anos. A meta atual, de 4,25%, vale até ao ano que vem.
Segundo Levy, esse percentual é o ideal para dar confiança ao investidor e reduzir os custos de emissão do governo. Ele disse que um superávit entre 3% e 4% é o adotado atualmente por países que têm dívida considerada sólida. ''O superávit primário não é só fundamental, é uma ferramenta para outras coisas que ajudam a fazer funcionar a economia. Com o superávit, a sua política monetária é outra, além de ter repercussões nas medidas de organização da dívida'', disse.
A posição de Levy coincide com a apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um jantar com jornalistas na última quarta-feira. Lula disse que o País precisa de um superávit primário de pelo menos um terço do que paga de juros pela dívida pública (no ano passado, 9,49% do PIB), o equivalente a cerca de 3,15%.
O Tesouro Nacional pretende captar pelo menos US$ 2,5 bilhões no mercado externo ainda neste ano, mas a operação só vai se concretizar quando as condições de mercado estiveram ''apropriadas'', segundo o secretário do Tesouro. ''Nossa necessidade de captação é de cerca de US$ 2,5 bilhões. Vamos voltar ao mercado quando as condições estiverem apropriadas'', disse Levy. O Banco Central (BC) já informou que a meta total de captações para 2004 é de US$ 5,5 bilhões.
No dia 12 de janeiro, o Banco Central concluiu uma captação de US$ 1,5 bilhão com a venda de bônus de 30 anos. Os juros pagos pela operação foram de 8,75% ao ano até 2034, quando vencem os papéis. Mas o ''soluço'' verificado no mercado financeiro nas últimas semanas praticamente impossibilitou a realização de novas emissões. A taxa de risco-país -í ndice medido pelo banco norte-americano JP Morgan - acima de 500 pontos dificulta a operação.
Na época da captação de US$ 1,5 bilhão, a taxa de risco-país se encontrava em patamar próximo aos 400 pontos e o C-Bond, principal título da dívida externa, atingiu os 100% do valor de face pela primeira vez desde que entrou em circulação.

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