Levy ameaçou se demitir se veto caísse
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de março de 2015
Valdo Cruz, Natuza Nery e Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
O risco de o ajuste fiscal ficar comprometido por causa da derrubada de um veto presidencial levou o ministro Joaquim Levy (Fazenda) a fazer um desabafo, usado por governistas para pressionar seus aliados, de que neste caso preferia pedir demissão. A ameaça do ministro foi feita na última quarta-feira, quando o Congresso quase derrubou o veto da presidente Dilma à prorrogação até 2042 dos subsídios sobre a energia elétrica para grandes empresas do Nordeste.
A manutenção do subsídio elétrico provocaria um custo extra de R$ 5 bilhões nas contas do Tesouro neste ano, tornando mais difícil cumprir a meta de superavit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. A manobra para tentar derrubar o veto de Dilma, que acabou fracassada, foi comandada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pegando de surpresa o governo durante a sessão do Congresso Nacional de quarta-feira.
Acionados de emergência, depois que o veto já havia sido derrubado na Câmara, os ministros Pepe Vargas (Relações Institucionais) e Eduardo Braga (Minas e Energia) levaram a Renan Calheiros e a senadores governistas a mensagem de que Levy "preferia pedir demissão do cargo" se o veto caísse. O veto acabou não caindo por apenas dois votos no Senado - 39 senadores votaram pela derrubada, dois a menos do que o quórum de 41 necessário.


