Pautadas pela confiança, pelo desejo de oferecer conforto às mulheres e de fidelizar o cliente de longa data, lojas de confecções estão migrando o local de atendimento para a residência do consumidor. É cada vez mais comum estes estabelecimentos oferecerem a possibilidade de o freguês receber peças de roupa em casa, para que possam prová-las com mais calma, privacidade, conforto, e ainda poder tomar a decisão da compra com mais assertividade. Afinal, poder prová-las com outras peças que se tem em casa pode ajudar – e muito – na decisão.
Carolina Jannani, proprietária de uma loja de roupas femininas e outra de roupas infantis, utiliza este modelo de atendimento. Periodicamente ela faz o convite e envia às suas clientes uma sacola com roupas selecionadas de acordo com as preferências das freguesas. Já que a maioria é cliente de longa data, a loja já conhece os gostos das consumidoras. "É pela facilidade de provar em casa. Às vezes a pessoa trabalha, não tem tempo de vir à loja, então fica mais fácil receber em casa", diz a proprietária.
As mães que compram na loja de confecção infantil de Carolina também apreciam o serviço, ressalta a proprietária. Isso porque elas podem fazer seus filhos provarem roupas com mais tranquilidade, em casa. "A mãe também pode ver, em casa, do que está precisando."
Os custos do mototáxi que entrega a sacola na casa da freguesa são arcados pela loja. As sacolas são enviadas sem compromisso. É um risco que o estabelecimento corre para fidelizar a cliente, afirma Carolina. Também há casos de compradoras que entram na loja, mas ao ficar em dúvida quanto às peças que querem comprar, acabam pedindo para provar em casa.
A sacola fica por dois dias na casa da cliente e o retorno também é feito por um mototáxi enviado pela loja. Cerca de 20 peças vão na sacola. A cliente precisa ir à loja apenas para pagar.
Segundo Carolina, mais de 30% das clientes compram desta maneira. "A gente anota em um caderno, faz a conferência, nunca tive problemas", afirma a proprietária. Com esta forma de atendimento, Carolina diz que as vendas aumentaram. "Com certeza aumentou desde que implementamos e está crescendo cada vez mais. Todo mundo hoje faz isso."
A coordenadora administrativa Noeli Viana é adepta das compras por sacolas. "Acho ótimo. Acabo comprando mais", confessa. Em casa, ela conta que monta visuais diferentes, com várias peças, e assim acaba arrematando compras de, em média, R$ 900 uma vez ao mês. Para a coordenadora, que tem filhos, é muito mais prático poder provar roupas em casa. Além disso, as vendedoras das lojas onde costuma comprar já sabem de suas preferências.
"As pessoas se sentem mais à vontade", justifica Renata Nabhan, sócia da loja de roupas femininas Fernanda Nabhan, que também envia peças em consignação às suas clientes com a ida gratuita e sem compromisso. O retorno é por conta da consumidora.
A cliente pode ficar dois dias com as peças em consignação e, neste tempo, muitas vezes acaba decidindo por ficar com mais peças do que planejava, conta Renata. "Houve uma ocasião em que a cliente pediu (para entregar) uma calça flare (boca de sino) para uma ocasião e acabou ficando com três", recorda a proprietária. Sem contar a satisfação do cliente, que também aumenta. "Acaba criando uma fidelização porque deixamos as clientes mais à vontade, mais confortáveis. E se não deu certo, a cliente vem à loja para ver mais opções e compra."

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