Lerroville ganha área para beneficiar café
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quinta-feira, 25 de março de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Pequenos cafeicultores de Lerroville vão receber a doação de um terreno para instalarem uma máquina de beneficiamento de café. O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), assinou ontem a declaração de utilidade pública de uma área de 20 mil metros quadrados para a instalação dos equipamentos. De acordo com o prefeito, o imóvel vai custar no máximo R$ 30 mil. O programa Paraná 12 Meses, do governo estadual, financiará R$ 350 mil para a compra das máquinas.
Os produtores são integrantes do projeto Café de Lerroville, que trouxe ao município o conceito de ''mercado solidário de comércio justo''. Em junho, eles vão vender mil sacas de café para a França por um preço pelo menos 50% maior que o praticado no mercado.
A negociação foi possível graças à parceria com a organização não governamental (ONG) francesa Monde Diplomatique, que articulou a venda a empreendedores do município francês de Saint-Etienne. Os franceses exigem que os produtores eliminem práticas socialmente incorretas ou de agressão ao meio ambiente do processo produtivo. Em breve, o café de Lerroville receberá certificação social e orgânica.
O cônsul da França no Brasil, Jean Marc Lafôret, participou da cerimônia que também oficializou a parceria entre as associações de produtores da Água da Limeira e Água da Laranja Azeda e entidades parceiras (Iapar, IAP, Emater, secretarias de Agricultura do Estado e do município e Instituto Maytenus).
Segundo ele, o consumidor europeu tem grande interesse por produtos orgânicos. ''As pessoas têm muito medo de alimentos com agrotóxicos ou transgênicos. Por isso, o mercado de produtos orgânicos fica cada vez mais importante'', disse.
O café é o principal produto orgânico brasileiro exportado para a França. Lafôret lembrou que a produção de vitelo e frutas também têm mercado potencial. No mercado tradicional, o principal produto brasileiro importado pelos franceses é a soja. Dois terços da oleaginosa comprada de outros países vem do Brasil. O presidente da Associação dos Produtores da Laranja Azeda, Fábio Gonçalves dos Anjos, afirmou que o maior desejo dos cafeicultores é viver com diginidade, sustentados pelo próprio trabalho. ''Hoje, infelizmente, estamos nas mãos de poucas grandes empresas'', criticou.


