O governador Jaime Lerner firmou ontem, em Córdoba, um protocolo de cooperação com o governo da província local. A base do acordo prevê a formação de joint ventures entre empresas dos dois estados e intercâmbios de capacitação profissional para futuros trabalhadores nas indústrias de autopeças da Grande Curitiba.
Segundo o governador da Província de Córdoba, Ramon Baotista Mestre, através da integração os dois estados pretendem formam ‘‘um corredor oceânico entre o Pacífico e o Atlântico’’. Mestre pretende retribuir a visita de Lerner ainda no primeiro semestre de 1997.
Durante o jantar em homenagem ao governador do Paraná, Mestre fez questão de comemorar o aniverário de Lerner, com um brinde de champagne. O governador paranaense agradeceu e disse brincando que ‘‘depois dos 50 a gente não celebra, a gente constata’’. Mestre desejou ainda que o ‘‘Brasil tenha a sorte de ter Lerner na Presidência da República’’.
Córdoba, como a região de Curitiba, é uma cidade emergente da indústria automobilística do Mercosul. Na cidade argentina estão instaladas a Reunault, há mais de 30 anos, a subsidiária da Volkswagen, a Transex, há mais de 20 anos, além da General Motors. Na próxima sexta-feira será inaugurada a Fiat e em março a fábrica da montadora norte-americana Chrysler. Em 1996, a região metropolitana de Curitiba foi eleita também pela Renault, Chrysler e Audi (subsidiária da Volkswagen), como sede de suas indústrias no País.
O comércio de Córdoba com o Brasil, segundo dados oficiais locais, movimenta US$ 2,4 milhões ao ano. Além dos 1,5 mil veículos Renault exportados mensalmente, participa na balança comercial com destaque o comércio de azeite de oliva argentino.
O presidente da Câmara Industrial Metalúrgica de Córdoba, Emilio Graglia, informou que na província existem 150 fornecedores de autopeças que empregam cerca de 10 mil pessoas e faturam cerca de US$ 15 milhões. Segundo ele, com a instalação das duas novas inbdústrias, o número de empregos totais deve alcançar 20 mil.
Córdoba e Paraná têm a intenção de realizar um intercâmbio entre os fornecedores de autopeças. A idéia é de que entre 20 a 30 fornecedores da província argentina instalem unidades no Paraná em parceira com empresários locais. Em consequência, a produção local em Córdoba será ampliada para atender à indústria automobilística paranaense, que deve iniciar sua produção a partir de 1998.
Para consolidar esse processo, está sendo organizada para janeiro do próximo ano uma vista de empresários locais a Curitiba, como primeiro passo para se estabelecer parcerias de produção de autopeças.
Graglia criticou a burocracia das aduanas na fronteira entre o Paraná e a Argentina que tem, segundo ele, dificultado os negócios entre as regiões. Para o dirigente, a unificação das aduanas são só pouparia recursos como tempo para a realização dos negócios.
O presidente Câmara Industrial de Córdoba reclamou ainda do monopólio exercido por empresas de transportes na fronteira. Segundo Graglia, em função da burocracia, apenas algumas empresas podem realizar o transporte, aumentando os custos do frete.
A repórter viajou a Córdoba a convite da Transbrasil.

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