Lerner sabia da ação de secretário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de outubro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
As denúncias de envolvimento do ex-presidente da Banestado Leasing, Osvaldo Magalhães dos Santos, em irregularidades cometidas na instituição, eram de conhecimento do governo, em novembro de 1997, quando ele ainda ocupava o cargo de secretário do Esporte e Turismo. A informação está na ata da 208ª reunião do Conselho de Administração da Banestado Leasing, feita em novembro de 97.
O documento transcreve a conversa entre o advogado do Departamento Jurídico do Banestado, Francisco Jawsnicker e o ex-presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid. O governador já sabe, respondeu Garcia, ao ser questionado se não seria ideal encaminhar um ofício a Lerner falando do envolvimento de Magalhães no esquema de gestão fraudulenta da Leasing.
Segundo a ata, a pergunta foi feita pelo advogado, que em seguida questionou se Lerner sabia oficialmente ou pessoalmente. Pessoalmente, respondeu Neco Garcia, de pronto, ao esclarecer que ele mesmo havia informado ao governador parte dos resultados da auditoria, que descobriu um esquema de corrupção e desvio de dinheiro na Banestado Leasing. Diretores e funcionários foram denunciados por liberarem empréstimos para 33 empresas mediante pagamento de propina, ou mesmo para empresas fantasmas. As operações totalizam R$ 267 milhões.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, assegurou ontem que em momento algum Lerner teve conhecimento das operações irregulares que eram feitas na Leasing. O governador sabia apenas que havia denúncias contra o Osvaldo, porque elas eram feitas pela mídia e também pelo senador Roberto Requião (PMDB), afirmou Gionédis. Uma das denúncias, publicadas pela Folha em março de 97, motivou o Ministério Público Estadual a abrir um processo de investigação.
Gionédis ressaltou ainda que Osvaldo Magalhães abriu suas contas bancárias para a auditoria interna do Banestado na Leasing e nada foi encontrado. O processo no Ministério Público Estadual também mostra que as contas bancárias do ex-secretário estavam em ordem. Mas mesmo assim, pesava contra ele a acusação de gestão fraudulenta na Leasing. Ele teria beneficiado políticos do PFL, entre eles o ex-governador de Sergipe, João Alves.
O secretário afirmou que o então secretário não foi afastado de suas funções porque havia apenas indícios de atos ilícitos e não provas. Segundo Jawsnicker, os auditores do Banestado apresentaram uma notícia-crime para o Ministério Público apontando Osvaldo Magalhães como um dos principais responsáveis pelos desvios da Leasing.


