O governo do Paraná lançou ontem, em Curitiba, a Agência de Desenvolvimento do Paraná S.A. Criada por exigência do Banco Central no pacote que prevê a privatização do Banestado, a empresa deverá obter R$ 100 milhões do governo federal para fomento. Banco do Emprego é o nome fantasia da agência, que terá representação em todo o Estado. A liberação dos recursos depende de aprovação do Senado. Por ser ano eleitoral, o dinheiro deverá estar disponível somente depois das eleições, quando senadores voltam a realizar sessões diárias. Até lá, a agência funcionará como fundo de aval com R$ 4 milhões bancados pelo governo estadual.
O governador Jaime Lerner (PFL), secretários de Estado e representantes do empresariado e de diversas entidades civis assinaram ontem protocolo de intenções. A expectativa do governo é de que a linha de crédito beneficie 200 mil empreendedores, dos quais 50 mil nos próximos dois meses. Candidato à reeleição, Lerner prometeu que a liberação do dinheiro ‘‘não terá burocracia. ‘‘As forças vivas de cada município é que farão tudo. O governo entra com o apoio técnico’’, disse. ‘‘O fundo de aval será criado para evitar tortura. Conceder créditos cobertos por um banco comercial vira uma rede de inadimplência.’’
Lerner disse que pretende trazer entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a agência. O governador explicou que a idéia é descentralizar a agência. No interior, o Banco do Emprego será representado por organizações não-governamentais (Ongs) já constituídas como o Pacto Nova Itália e Pró-Caxias, na região Sudoeste; Pacto Arenito e Pro-Ação, no Noroeste; a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec); o Fórum da Seda, que cobre 250 municípios; o Expande Casavel, no Oeste; o Pacto Mourãoense, na região de Campo Mourão; e o Portal do Paraná, em Jacarezinho, entre outras.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e do PFL estadual, José Carlos Gomes Carvalho, falou em nome dos empresários. Ele disse que a criação da Agência de Desenvolvimento ajudará pequenos e microempresários. ‘‘Em tempos de globalização, o dia-a-dia dos pequenos está cada vez mais difícil’’, disse. Para ele, a agência ocupará um espaço vago deixado com a extinção do Badep e da antiga Codepar.
A criação da agência está sendo adotada por vários estados que entraram no programa de renegociação de dívida. O governo tem 30 anos para devolver o dinheiro, pagando juros de 6% ao ano, como informou o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. O Banco do Emprego vai substituir as demais carteiras de fomento que liberavam recursos para financiar pequenos e médios empresários e agricultores.
O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, disse que os interessados na nova linha de crédito podem procurar agências regionais já instaladas e que a liberação dos primeiros empréstimos, pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Nrasil, deve ocorrer nos próximos dias.DivulgaçãoCentral de créditoO governador Jaime Lerner, ontem, durante o lançamento da agência de desenvolvimento: criação da empresa de fomento é exigência do Banco Central no pacote que prevê a privatização do BanestadoOperações serão bancadas inicialmente por fundo de aval de R$ 4 milhões

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