Arquivo FolhaLerner: ‘‘Não
posso dizer nem
sim, nem não.
Agora tenho
que ficar quieto’’A ordem dada pelo governador Jaime Lerner, ontem, à equipe de governo foi a do silêncio e a de negar qualquer negociação com a montadora japonesa Suzuki, empresa que tem intenção de instalar uma fábrica no País. A determinação foi baixada um dia após ele próprio ter ido à televisão e declarado que ‘‘uma grande montadora’’ ia se instalar no interior do Paraná. Irritado com o vazamento do nome da empresa, Lerner deu várias declarações assegurando que todas as notícias sobre o assunto não passaram de ‘‘especulação’’.
O governador disse temer que a quebra do sigilo atrapalhe as articulações entre governo e as empresas que têm intenção de vir para o Estado. Arrependido de ter antecipado a vinda da montadora, o governador chamou às pressas os secretários Nelson Justus (Indústria e Comércio) e Giovani Gionédis (Fazenda) para uma reunião no Palácio Iguaçu. O encontro foi anteontem à noite, quando o governador soube que alguns jornais trariam a notícia sobre a Suzuki. Os três combinaram que não dariam mais detalhes sobre o novo investimento e que negariam o nome da montadora.
Arquivo FolhaPela tangenteO secretário Nelson Justus cumpre a determinação de Lerner: ‘‘Nunca ouvi falar em Suzuki’’
Durante o dia de ontem, eles preferiram negar que houvesse qualquer tentativa de atrair a Suzuki para o Estado. ‘‘Não confirmo a indústria, nem confirmo a localização’’, afirmou o governador, contradizendo em parte a informação que deu um dia antes. Pressionado por jornalistas, o governador completou: ‘‘Não posso dizer nem sim, nem não. Agora tenho que ficar quieto’’.
Justus adotou o mesmo estilo. ‘‘Nunca ouvi falar em Suzuki’’, jurou. Segundo o secretário da Indústria e Comércio, além do governador e dele, apenas o secretário da Fazenda sabia da nova montadora.
O segredo absoluto e a afirmação do governador de que a montadora iria para o interior do Estado fizeram com que alguns prefeitos se agitassem. O prefeito de Londrina, Antonio Belinati, telefonou anteontem por volta das 21 horas para o vice-prefeito Alex Canziani, perguntando se ele tinha informações mais detalhadas sobre a Suzuki.
Belinati passou o dia de ontem em Curitiba, onde acompanhou a posse dos conselheiros no Tribunal de Contas. Ele tratou de garantir que Londrina está fora dos planos da Suzuki. ‘‘Infelizmente, não houve nenhum contato oficial com a prefeitura de Londrina. Mas nós receberemos qualquer novo investimento de braços abertos’’, declarou.
O presidente em exercício da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), José Cândido Miller Júnior, deu declarações mais otimistas. Ele disse que consultores japoneses e empresários envolvidos no processo de instalação de uma montadora de carros estiveram em Londrina. Segundo Miller, o grupo ‘‘fugiu do marketing político’’. ‘‘Eles circularam pela cidade livremente e viram o que quiseram, sem qualquer interferência da prefeitura’’, afirmou. (Colaborou Carina Paccola, de Londrina)

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