Lerner faz abertura oficial da safra
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quinta-feira, 05 de março de 1998
Maurício Borges 
DivulgaçãoLerner, acompanhado por Simão e Polloni, colhe algodãoO governador Jaime Lerner, acompanhado pelo secretário da Agricultura, Antônio Leonel Polloni, e do prefeito de São João do Ivaí e presidente da Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi), Ivens Simão, participou ontem da abertura oficial da colheita da safra 97/98 de algodão. O ato foi realizado na localidade rural de Água Rica, em São João do Ivaí, com a presença de produtores rurais e lideranças políticas do Vale do Ivaí.
Com um saco de catador amarrado à cintura, Lerner apanhou maçãs de algodão, e comemorou com entusiasmo os primeiros resultados do Programa de Incentivo à Cotonicultura, que fez dobrar a área de plantio no Estado, que saltou de 59,7 mil para 120.180 hectares, e uma estimativa de produção de 230 mil toneladas, 110% a mais que a da safra anterior.
Lerner destacou a importância da cultura do algodão na geração de empregos, lembrando que a cultura foi impulsionada graças ao programa de incentivo do Governo do Estado, adotado na época do plantio da safra 97/98. Liberamos quase R$ 13 milhões de recursos, que subsidiaram o plantio de 120 mil hectares, beneficiando 25 mil pequenos produtores, disse.
Segundo o secretário Antônio Leonel Polloni, cada agricultor incluído no programa recebeu R$ 106,16 por hectare, até um limite máximo de 6 hectares. Tais recursos foram aplicados na aquisição de calcário, preparo do solo e compra de sementes, informou Polloni.
Ele disse que com a aplicação de mais tecnologia, principalmente por parte dos pequenos agricultores, a produtividade média do Paraná deve melhorar, ficando em torno de 1.900 kg de algodão. Ele diz que há regiões em que houve um aumento de até 400% na área plantada. As regiões onde houve mais expansão foram aqui no Vale do Ivaí, Maringá, Campo Mourão, Paranavaí, Umuarama, Campo Mourão, Cascavel e Toledo.
Mercado Apesar de apoio obtido do governo, a maioria dos produtores está preocupada com a falta de preço do algodão. Os que já estão entregando o produto nas cooperativas não têm qualquer perspectiva sobre o valor que será pago pela arroba.
Durante a abetura oficial da colheita, alguns produtores reclamavam com a situação. Estamos descapitalizados, e com a indefinição de preço fica difícil até para colher, lamentou o produtor João Clóvis Santos. Ele diz que, o jeito é pedir adiantamento para pagar os bóias-frias, já que a colheita está apenas começando.
De acordo com o diretor da Indústria Têxtil de Apucarana, Eros Felipe, a situação do mercado está complicada porque o Governo Federal aprovou, mas ainda não viabilizou recursos para que as indústrias possam financiar a compra do produto. Há informações preliminares de que o Banco Central já teria autorizado um total de R$ 450 milhões, colocando este montante à disposição das indústrias, que assim poderiam comprar o algodão dos produtores e das cooperativas, comenta o empresário apucaranense.
Eros Felipe avalia que o preço mínimo, de R$ 7,00 a arroba, deve se manter nesta faixa, caso seja agilizada a liberação de recursos para a indústria. Se não houver demora, a tendência é que o preço fique estabilizado neste patamar, conclui Felipe.


