O banco Itaú, novo dono do Banestado, divulgou ontem nota oficial para justificar sua estratégia de recuar no leilão de privatização do Banespa. Segundo o comunicado, se o banco participasse do leilão provocaria a queda do lucro por ação, durante vários anos, o que representaria a redução do valor de mercado do banco. O Itaú ficou praticamente sem fôlego para o Banespa, após ter comprado o Banestado por R$ 1,625 bilhão.
Quem comemorou a venda do Banespa foi o governo do Estado. O governador Jaime Lerner (PFL) comparou os dois ágios e considerou o processo do Banestado vencedor. O ágio do Banespa ficou abaixo do Banestado. Lerner destacou que os processos foram conduzidos de maneira diferente, pois a venda do Banestado foi feita inteiramente pelo governo do Estado, enquanto o Banespa teve a participação do governo federal.
Alguns economistas paranaenses colocaram em xeque o preço de venda tanto do Banestado quanto do Banespa. Para o presidente do Conselho Regional de Economia, Luis Eduardo Sebastiani, um ágio muito alto pode representar uma subavaliação.
BancáriosA compra do Banespa pelo Banco Santander não foi bem recebida pela direção do Sindicato dos Bancários de Londrina. Para a entidade, o cenário futuro é o pior possível. O diretor de políticas sindicais da entidade, Joaquim Borges Pinto, cita as aquisições anteriores do banco espanhol, o Meridional, Noroeste e Banco Geral do Comércio, para apontar que deverá haver redução drástica de quadro de funcionários.
De acordo com dados do sindicato, o Banco Noroeste tinha, em Londrina, 30 funcionários. Hoje, como Noroeste Santander, restam apenas 12. O Meridional passou de 30 para cerca de 10 funcionários. ‘‘A política deles é manter de 8 a 10 funcionários por agência porque usam muito o serviço eletrônico’’. Ele adianta que as entidades sindicais continuam acreditando na Justiça para reverter a privatização do banco. ‘‘O leilão foi feito à margem da lei’’. Joaquim adianta que os sindicatos vão reagir a demissões.
O Banespa mantém, em Londrina, 24 funcionários e seis estagiários, e apenas uma agência. O número de clientes gira em torno de cinco mil, incluindo pessoas físicas e jurídicas. Ontem, os funcionários locais iniciaram o expediente mais tarde, às 12 horas, em protesto. O gerente da agência de Londrina, Roberto Mello, informa que agência cresceu em torno de 60% em movimentação financeira em cinco meses. (Carmem Murara e Benê Bianchi)

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