Lerner apóia a Caixa Estadual
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segunda-feira, 21 de setembro de 1998
Carmem Murara 
O governador Jaime Lerner afirmou ontem, em Curitiba, que é favorável à proposta de criar a Caixa Econômica Estadual - banco que substituiria o Banestado após a privatização. Se forem criados recursos para abrir possibilidade de ampliar o programa habitacional do Estado, eu sou a favor, declarou o governador. A estruturação da Caixa Econômica Estadual partiu do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury. A idéia é contrária ao acordo assinado entre governo do Estado e Banco Central, no qual o governo se comprometeu a abrir mão do controle sobre todas as instituições financeiras.
Lerner ignorou a exigência da equipe do Banco Central ao defender ontem a proposta de Khury. Pelo projeto do deputado, a Caixa Econômica Estadual iria priorizar o atendimento aos paranaenses que precisam de financiamentos para comprar a casa própria. A idéia ainda é estimular a liberação de empréstimos populares aos municípios. O banco funcionaria nos moldes das instituições financeiras de São Paulo e Rio Grande do Sul, que também possuem Caixas Econômicas.
A criação da Caixa Econômica Estadual depende apenas da aprovação de um projeto de lei, que destina R$ 100 milhões do orçamento estadual do próximo ano para capitalizar o novo banco. Não é necessário aprovar um projeto de lei criando a Caixa, pois a lei que autoriza a formação da instituição financeira no Paraná foi aprovada em 1967 durante o governo Paulo Pimentel. Durante quase 30 anos, o projeto ficou engavetado. Tanto o governo quanto os deputados estaduais achavam suficiente a existência apenas do Banestado.
Para o governador, tornar a Caixa Econômica Estadual uma realidade não é o mesmo que criar um novo banco. A intenção não é criar um novo banco. É apenas criar novos instrumentos para ampliar a política habitacional no nosso Estado, disse Lerner.
Dentro do próprio governo, a formação do novo banco estadual é vista com total descrédito. Diretores do Banestado que trabalham no processo de saneamento da instituição financeira asseguram que jamais o Banco Central vai autorizar que qualquer Estado volte a ter gerência sobre um banco, após a entrada no Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro Estadual.


