Lerner afirma que Paraná manterá controle da Copel
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quinta-feira, 04 de maio de 2000
Vânia Casado e Carmem Murara De Curitiba 
O governador Jaime Lerner admitiu ontem que está mantendo negociações com a Eletrobrás para vender parte das ações que possui na Companhia Paranaense de Energia (Copel), onde o Estado é acionista majoritário com 58,6% do capital social. Lerner afirmou, no entanto, que o Estado tem intenção de se manter dono da concessionária de energia até o momento da privatização. O controle acionário continua com o governo do Estado. A Eletrobrás será uma sócia estratégica e minoritária, disse Lerner.
As informações de que o Estado venderia todas as ações para a Eletrobrás circularam nos últimos dois dias pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e anteontem foram comentadas pelo presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio Neto. Ele disse que o contrato com o governo paranaense seria firmado nas próximas semanas. Sampaio chegou a declarar que a Eletrobrás passaria a controlar o processo de privatização da estatal paranaense.
A previsão é vender a companhia à iniciativa privada até o final do próximo ano, conforme prevê o Conselho de Desestatização da Copel. A entrada da Eletrobrás no processo poderá acelerar a venda. O importante nesta operação é unir os trabalhos dos governos estadual e federal para adiantar o processo de privatização da Copel, declarou Sampaio, anteontem, em São Paulo. Lerner garantiu ontem que o processo de privatização será conduzido pelo Estado.
As declarações do presidente da Eletrobrás tranquilizaram o mercado acionário que não sabia como se comportar diante da possibilidade de compra e venda das ações da Copel e Eletrobrás. A comercialização dos papéis das duas empresas chegou a ser suspensa na quarta-feira pela manhã, a pedido da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). À tarde, a situação se normalizou e ontem foi dia de bons negócios para a Copel na Bovespa.
As ações da Copel abriram o pregão valendo R$ 9,70 e fecharam em R$ 10,89. A valorização já era esperada pelo mercado. Por volta das 16 horas, as ações Ordinárias Nominativas (ON) estavam com ágio de 11% e as Preferenciais Nominativas (PN) com 8%. Já as ações da Eletrobrás se mantiveram estáveis em R$ 27,00, mas no meio da tarde chegaram a ter um ágio momentâneo de 1%.
A valorização dos papéis da Copel já era esperada, pois a empresa é considerada uma das mais rentáveis hoje no mercado de energia. A Copel fechou o ano passado com um lucro de R$ 277,2 milhões, enquanto a maioria teve prejuízo por causa da desvalorização do real, em janeiro de 1999. A concessionária tem hoje um patrimônio líquido de R$ 4,627 bilhões.


