Lerner acha 'aliança' inviável
A intenção do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, de unir Paraná e Santa Catarina nas negociações para atrair a montadora Ford para um dos Estados é uma campanha que não contará com o apoio do governo paranaense. O governador Jaime Lerner deixou claro ontem que seria impossível imaginar que dois Estados iriam elaborar uma mesma proposta de incentivos fiscais para conquistar um investimento industrial.
Desde a semana passada, Khury tem feito consecutivas declarações sobre a união de Paraná e Santa Catarina, que deveriam manter um jogo aberto. O deputado tem dito que a intenção é evitar uma guerra fiscal e por isso os governos catarinense e paranaense teriam de oferecer os mesmos benefícios. A proposta seria a mesma e a decisão ficaria a cargo da montadora.
Lerner não quer se indispor com Khury, mas avalia que a intenção é inviável. O Estado tem seu próprio programa de incentivos fiscais, o Paraná Mais Empregos, que difere da lei catarinense. Além disso, o governo paranaense deixou claro para a montadora que não vai entrar num leilão desenfreado com outros Estados. Queremos que o investimento seja dentro do Paraná, mas sabemos que em qualquer lugar onde a Ford se instalar, o nosso Estado será beneficiado, pois hoje produzimos peças para as montadoras.
A proposta de Aníbal Khury é vista com ressalvas entre os próprios deputados. O vice-presidente da Assembléia, Nelson Justus, disse ontem não entender como poderia ser feita uma união entre dois Estados para atrair um mesmo investimento. Não sei como isso poderia se dar. O investimento viria, então, para a divisa?, questionou Justus. Ele afirmou ainda que jamais um governo entrega a chave do cofre para outro governo, mostrando como negocia para atrair uma indústria.(Carmem Murara)





