Curitiba - As estatísticas de doenças ocupacionais, no Brasil, são falhas, mas, estima-se que aproximadamente 30 mil pessoas ficam doentes, todos os anos, por causa do trabalho, segundo informou o presidente da Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO), Marcos Domingos da Silva. As lesões por esforço repetitivo e doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (LER/DORT) são, hoje, a principal causa de afastamentos. Outra doença de maior incidência é perda de audição, principalmente, por exposição a ruído, agentes químicos, radiações ionizantes e acidentes com traumatismo craniano.
  Silva atribui o elevado número de doentes à ‘‘falta de comprometimento do empresário com o seu ambiente de trabalho’’. ‘‘Ele escolheu aquele processo produtivo e deve estar ciente dos riscos que gera e de como irá minimizá-lo’’, acrescentou o higienista, observando, ainda, que há, também, muitos empresários sérios e conscientes de sua responsabilidade com a saúde do trabalhador. Os programas de qualidade, principalmente, nas grandes empresas e naquelas que atuam com comércio exterior, segundo ele, têm servido de estímulo para a adoção de ações preventivas em saúde ocupacional.
  O vice-presidente de Formação e Educação Profissional da ABHO, Satoshi Kitamura, lembrou que a legislação brasileira (que normatiza as questões de segurança e saúde no trabalho) é uma das melhores do mundo. Mas, essa preocupação é, relativamente, recente: começou a se intensificar na década de 80. Para ele, a cobrança por parte dos trabalhadores em relação à segurança é maior nos grandes centros, onde os sindicatos são mais atuantes. O que precisa, acrescentou, é que essa cobrança seja feita sob uma ótica mais técnica.
  A bancária Adriana Diomara Duarte, 36 anos, integra as estatísticas de trabalhadores afastados por doenças ocupacionais. Começou a sentir os sintomas de LER/DORT, em 1997, e quando recebeu o diagnóstico definitivo, a doença já estava em estágio bastante avançado, o que a obrigou a se afastar de suas funções de caixa, nos últimos cinco anos. Além das dores nas mãos, cotovelos e ombro, a perda de movimentos e impossilidade de executar tarefas simples, fizeram Adriana entrar em depressão.
  Adriana concorda que a preocupação das empresas com segurança e saúde ocupacional é mais recente. A instituição em que trabalha, por exemplo, adotou a ginástica laboral e acompanhamento com fisioterapeutas, o que não fazia parte da rotina da empresa, enquanto ela ainda trabalhava. (A.L.)

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