Buenos Aires - ‘‘A saída para a Argentina será muito difícil sem o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).’’ Com crueza, o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, analisou dessa maneira o que poderia acontecer a seu país se a tão esperada ajuda financeira externa não se concretizar. Ontem, em vários encontros com a imprensa, Remes Lenicov afirmou que sem a ajuda do Fundo o país não tem futuro.
O atual cenário não é favorável para que essa ajuda chegue rapidamente. O FMI exige -antes de qualquer liberação de fundos - que o governo do presidente Eduardo Duhalde consiga um acordo com os governadores das províncias sobre a co-participação federal. A co-participação consiste na distribuição entre a União e as províncias de parte da arrecadação tributária. O FMI exige que a parte destinada às províncias seja reduzida drasticamente, fato que enfurece os governadores, que alertam para o risco de conflitos sociais caso sofram uma abrupta redução de verbas.
O problema para o governo Duhalde é que as negociações com os governadores ficaram estancadas nesta semana, após duras jornadas de discussões. O governo declara-se otimista, e considera que poderia chegar a um acordo na terça-feira, já que ao longo do fim de semana as equipes econômicas dos governadores continuarão as reuniões técnicas com os assessores de Remes Lenicov. ‘‘Estamos pertíssimo de um acordo’’, afirmou o ministro. No entanto, os governadores estão céticos sobre uma rápida solução ao impasse.
Dólar - A moeda americana fechou ontem cotada em 2,15 pesos, um aumento de 0,05 peso em relação à véspera. O leve aumento, segundo analistas financeiros, deveu-se às especulações sobre eventuais complicações políticas no fim de semana, como a demora no acordo com os governadores e as consequências do adiamento na votação do orçamento nacional.

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