Lenicov diz que honrará dívida
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sábado, 05 de janeiro de 2002
Paulo Sotero 
WashingtonA declaração, ontem, do novo ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, de que o país honrará os pagamentos aos organismos multilaterais, em nada diminuiu o tamanho e o significado do default que o país deverá dar em sua dívida de US$ 96 bilhões aos credores privados. Trata-se do maior calote da história, iniciado ontem pela confirmação do não pagamento de US$ 28 milhões de juros de uma emissão de papéis em liras.
Mas a decisão das autoridades de Buenos Aires foi recebida com alívio em Washington. Nunca um país com uma economia do porte da Argentina incluiu o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento em decisões de suspensão de pagamentos de dívida externa. A possibilidade de Buenos Aires vir a fazê-lo, em meio à crise de governabilidade das últimas semanas, assustou as instituições e a administração Bush, que insistiu na continuação dos pagamentos aos organismos multilaterais nas mensagens que transmitiu à Argentina nos momentos mais agudos da recente crise sucessória na Casa Rosada.
A razão é que eles dependem do repagamento pontual dos créditos que concedem para preservar sua classificação de risco AAA, que lhes permite levantar dinheiro com os juros mais baratos disponíveis no mercado e repassá-los aos países tomadores com um pequeno adicional.
Lenicov, que assumiu o ministério da Economia de um governo que atribui os males da Argentina ao modelo econômico defendido por essas instituições, terá um par de tarefas extremamente complicadas em sua primeira viagem a Washington, marcada, em princípio, para a semana que vem. A primeira é convencer o FMI, o BIRD e o BID de que existe um modelo alternativo melhor do que o que eles defendem. A segunda será realizar os pagamentos prometidos.


