Leitura dos bilhões
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quarta-feira, 03 de agosto de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
A força da internet e a tecnologia dos tablets não estão inibindo o mercado de livros e publicações impressas no Brasil. O prazer pela literatura, independentemente de qual seja, deve fazer com que o brasileiro gaste no setor R$ 7,18 bilhões até o final do ano. É o que estima uma pesquisa do Ibope Inteligência que, pelo dimensionamento de mercado, calcula o potencial de consumo por região e por classes sociais. O Sul é a segunda região que mais compra estes produtos e deve consumir este ano R$ 1,10 bilhão, ou 15,28% do mercado. O sudeste lidera com 57,9% dos negócios do setor.
O potencial do mercado de livros também é comprovado pela pesquisa anual da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A CBL aponta que o setor editorial em 2008 faturou R$ 3,30 bilhões, em 2009 saltou para R$ 3,37 bilhões - crescimento de 2,13%. Para 2010, a expectativa da entidade é de uma ascensão ainda maior. A diferença em relação ao Ibope está no fato do levantamento da CBL/Fipe considerar apenas livros e não outras publicações. ''Estamos falando de um mercado em pleno crescimento, que está acompanhando o boom da economia do País'', avalia Karine Pansa, presidente da CBL.
Ela diz que a prova está no aumento das livrarias, megastores, editoras e diversidade de títulos nos últimos anos, que saltaram de 51,1 mil para 52,5 mil. ''As cadeias de livrarias internacionais estão procurando cada vez mais a América do Sul. Além delas, há um interesse das grandes editoras em ingressar no mercado de língua portuguesa'', salienta Karine.
O levantamento do Ibope, entretanto, aponta que o investimento per capita do brasileiro em livros e outras publicações ainda é modesto. A média nacional é de R$ 44,08 por habitante ano. O Paraná está na quarta colocação, com consumo médio anual de R$ 40,22, abaixo da média do Sul (R$ 46,70), Sudeste (R$ 55,08) e Centro-oeste (R$ 44,33). ''É um valor que ainda deixa a desejar, mas não deixa de ser proporcional à renda do brasileiro'', avalia Karine.
Outro ponto que necessita de mudança, apesar dos números promissores do Ibope, é a venda de livros para as classes C, D e E. O grande nicho de consumo são as classes A e B, com R$ 5,25 bilhões, mas com o crescimento da classe C - 50,3% dos domicílios urbanos do País - as vendas podem ser potencializadas. ''Para ingressar nas classes C, D e E, temos que partir de baixo, disponibilizando livros em escolas, bibliotecas..., além de divulgar o trabalho através de políticas públicas'', conclui Karine.


