Leite e derivados puxam inflação de maio
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quarta-feira, 06 de junho de 2007
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A inflação de 0,28% em maio, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a maior contribuição individual para a taxa foi dada por leite e derivados, com alta de 3,75% e uma fatia de 0,07 ponto porcentual no índice. Em abril, a inflação pelo IPCA havia sido de 0,25%. No mês passado, os preços de produtos alimentícios aceleraram os reajustes de 0,03% em abril para 0,16%. Por outro lado, os combustíveis reduziram o ritmo de aumento de 1,17% em abril para 0,58% em maio, mês em que a gasolina subiu 0,33% e o álcool aumentou 2,82%.
Os produtos não alimentícios em geral tiveram variação de 0,31% no IPCA do mês de maio, sob influência também dos combustíveis, além de artigos de vestuário (0,68%), artigos de limpeza (0,75%), ônibus urbanos (0,24%), remédios (0,68%), energia elétrica (0,47%), empregados domésticos (0,91%) e cigarros (2,08%). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para a camada de renda mais baixa, ficou em 0,26% em maio, o mesmo resultado de abril. O INPC acumula alta de 1,88% no ano e 3,57% em 12 meses.
Para Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do IBGE, a aceleração no IPCA ''não mostra tendência de inversão em relação ao que vem acontecendo na inflação no Brasil nos últimos meses''. Ela disse que ainda é cedo para saber se há uma tendência de maior espalhamento nos reajustes de preços entre itens pesquisados, como ocorreu em maio, quando as pressões foram registradas em mais produtos do que em abril.
Eulina disse que um grupo de preços administrados - como energia elétrica, remédios, ônibus urbanos e cigarros - pressionou a inflação em maio, o que não vinha ocorrendo ''há algum tempo''. Mas, segundo ela, mesmo essa pressão dos administrados ilustra que a indexação ficou para trás no País, já que os reajustes estão em patamares bem inferiores do que os apurados ''no passado''.
Já as perspectivas para o IPCA de junho não mostram nenhum item que possa apresentar pressão significativa sobre a taxa, segundo Eulina. Segundo ela, o álcool deverá prosseguir em tendência declinante de preços, com efeitos também sobre a gasolina. No caso dos alimentos, ''não há visibilidade de produtos, além do leite'', com tendência de alta. Ela afirmou que o dólar abaixo de R$ 2 ainda não apresentou efeitos visíveis na inflação de maio, mas isso poderá ocorrer nos próximos meses, já que o câmbio tem efeito sobre produtos importantes nas despesas das famílias.
Combustíveis - Os reajustes no álcool começaram a se desacelerar em maio. No mês passado, a alta foi de 2,82%, ante 7,34% em abril, e, segundo Eulina, essa tendência prosseguirá em junho. A gasolina, que tem 25% de álcool na sua composição, aumentou 0,33% em maio frente a 0,66% em abril. Em 2007, o álcool acumula um reajuste de preços de 16,63%, segundo mostram os dados do IPCA de maio divulgados hoje pelo IBGE.
Eulina disse que o reajuste acumulado de janeiro a maio foi consequência da entressafra da cana-de-açúcar e da elevada demanda por esse produto.


