Leite C deve ser retirado do mercado
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quarta-feira, 20 de julho de 2005
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O leite tipo C deve sair do mercado consumidor. Pelo menos é o que determina a Instrução Normativa 51 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O tipo C será substituído pelo leite com denominação ''leite pasteurizado''. No entanto, ainda não há um prazo estabelecido para que o produto seja retirado do mercado. O objetivo desta instrução é fazer com que os produtores de leite se adequem as novas normas de qualidade de obtenção, produção e beneficiamento do produto, uma vez que o leite C tinha menores exigências de produção.
Segundo dados do Conseleite (entidade que congrega cerca de 80% das indústrias leiteiras do Paraná) no mês passado de toda a comercialização dos laticínios, 51,4% é do leite longa vida, enquanto 17,2% é do pasteurizado. O restante - 31,4% - é referente à produção de leite em pó e derivados como queijos, iogurtes, manteiga, leite condensado e creme de leite. O preço médio do leite C para o consumidor é de R$ 1 nos supermercados.
A Instrução Normativa 51, de setembro de 2002, foi editada com o objetivo de aprovar novos regulamentos técnicos de produção, identidade e qualidade dos leites (A, B, C e refrigerado), a produção, a coleta, o transporte e o beneficiamento e a comercialização do leite. A lei passou a vigorar a partir deste mês para a Região Sul do País. A instrução também criou novos parâmetros de qualidade microbiológica, físico, químicos, de células somáticas e na sanidade do rebanho. Para isso, também foi implementado o Programa Nacional de Erradicação de Brucelose e Tuberculose Animal.
É importante lembrar que o controle da sanidade do rebanho dos leites A e B sempre foi realizado e atestado por médicos veterinários, via acompanhamento direto e presente, e pelo envio de documentação para órgãos de fiscalização. ''Por isso, os leites A e B e seus produtos derivados são uma garantia de qualidade, uma vez que estão diretamente relacionados com a qualidade higiênica da ordenha, manejo, produção e armazenagem na origem'', afirma Solange Matsubara, médica veterinária da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento/Produtos de Origem Animal.
Segundo Karla Gollner Reis, técnico laticinista e engenheira de alimentos, a manutenção desses processos, através de um rápido beneficiamento com a pasteurização na própria origem, agrega maior valor ao produto, uma vez que durante a armazenagem prolongada ou o transporte em longas distâncias podem ocorrer mudanças na qualidade que geram alterações no produto acabado. ''Quando existe uma maior quantidade de microrganismos em um alimento, sua qualidade nutricional também é comprometida porque o desenvolvimento bacteriano exige o consumo de nutrientes - como a lactose e proteínas - e, por isso, há diferenças nutricionais'', explica.


