A integração da cadeia produtiva do leite e o processo de concentração de terras na Argentina foram alguns dos fatores que impulsionaram a produtividade da pecuária leiteira. A produção de leite é recorde este ano e deve atingir 11 bilhões de litros, um aumento de 23% em relação à produção do ano passado, quando a produção atingiu 9 bilhões de litros.
Com o aumento da produção de produtos lácteos, a Sancor, maior cooperativa do país que recebe entre 5,5 e 5,6 milhões de litros/dia, está procurando novos mercados onde pretende colocar 10% da produção e o Brasil é um de seus alvos. A Sancor é a mesma que, três anos atrás, tantou parceria com a Batavo. Recentemente, seus diretores estiveram em contato com a Centralpar, em Curitiba, tentando negociar a distribuição. Mas os negócios não evoluíram porque à Centralpar a distribuição não interessa.
O problema é que o mercado brasileiro não está tão fácil de ser conquistado. A Sancor admite que as importações brasileiras estão oscilando muito todo ano e ainda não atingiram o patamar desejado por eles, disse o agrônomo Carlos Caravatti, do departamento de produção da cooperativa. Este ano, por exemplo, a cooperativa vai exportar 2.200 toneladas entre leite em pó e queijos para o Brasil e não há previsão de crescimento nas exportações no curto prazo.
As cooperativas e os produtores argentinos também estão sendo prejudicados pela triangulação de leite da Nova Zelândia e Austrália, que entra no Brasil via Argentina. ‘‘Essa prática está enriquecendo apenas alguns empresários argentinos, enquanto o setor produtivo está sendo prejudicado porque não consegue competir, disse.
Custo de produção Os custos de produção de leite na Argentina, apesar de inferiores aos custos praticados no Paraná inviabilizam a competição com o produto importado. Lá o custo do leite ao produtor está oscilando entre US$ 0,12 e US$ 0,14 o litro e o produtor está recebendo uma média de US$ 0,18 e US$ 0,19 o litro, incluindo as bonificações por qualidade.
Apesar disso, as cooperativas argentinas confiam no potencial de crescimento do mercado brasileiro a médio e longo prazo. Elas estão de olho na possibilidade de elevar o baixo consumo per capita/ano.
Enquanto na Argentina se consome 230 litros de leite por pessoa/ano e no Uruguai, 253 litros por pessoa/ano, no Brasil são consumidos 130 litros por pessoa/ano.
Os argentinos sabem que os produtores no Brasil estão se organizando para aumentar a produção para atender o provável aumento de consumo. Segundo o diretor da empresa de equipamentos, Guilhermo Veneranda, a Argentina está disposta a participar desse mercado.
A vantagem da produção argentina sobre a brasileira são a qualidade e os elevados índices de produtividade, onde a média por animal é de 20 litros por dia. Além disso a estrutura de produção é mais racional, com equipamentos e tecnologia que dispensam o uso de mão-de-obra.
Atualmente, na Argentina, 100 vacas são manejadas por uma pessoa. E o produtor que tem uma produção de até 1.500 litros de leite por dia não pode ter empregado porque o custo não permite, disse Jorge Flores, da empresa de equipamentos Bósio.

mockup