Leilões visam reduzir perdas no mercado de trigo
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segunda-feira, 03 de outubro de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local 
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deverá leiloar no último leilão do ano, que acontece amanhã, 35 mil toneladas de trigo. Até agora, de acordo com Paulo Magno Rabelo, analista de mercado da Conab, já foram comercializados 570 mil toneladas do produto nos 16 leilões realizados este ano. ''Baixamos gradualmente os estoques de trigo do governo. Hoje temos guardado 650 mil toneladas das safras anteriores'', sublinha.
Para o atual ciclo, Rabelo destaca que ainda é cedo para fazer uma análise definitiva sobre a comercialização da safra. ''O que podemos antecipar é que os preços negociados estão abaixo dos preços mínimos.'' O analista aponta que o valor pago ao produtor do trigo tipo 1 está em torno de R$ 440 a tonelada. Já o preço mínimo estipulado pelo governo, compara o analista, foi fixado em R$ 477 a tonelada.
No Paraná, os prejuízos podem ser ainda maiores. De acordo com o último levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o produtor paranaense está recebendo R$ 422,33 pela tonelada do trigo tipo 1, índice menor do que a média nacional.
''O governo deverá intervir no mercado. Isso para elevar os preços pagos ao produtor''. Rabelo completa que as estratégias ainda estão sendo definidas, mas destaca que o agricultor não deverá ficar desamparado. Questionado pela FOLHA sobre a influência do câmbio nesse mercado, o analista da Conab revela que o Brasil se baseia no mercado argentino. ''Em termos de mercado, estamos numa situação confortável, já que o Mercosul nos proporciona uma certa estabilidade de compra e venda'', explica.
A safra
De acordo com informações da Conab, cerca de 50% do trigo plantado já foi retirado do campo. ''Só o Paraná, de acordo com o último levantamento realizado em setembro, representa 48% da produção nacional. O Estado deve colher 2,42 milhões de toneladas'', afirma Rabelo. Em todo País, é estimado uma produção de 5,15 milhões de toneladas, 12,5% a menos do que no ciclo 2010/11.
Já o Paraná, comparando a estimativa da atual safra com a anterior, deverá ter uma quebra de 25%, conforme cálculos da Conab. Entretanto, houve uma diminuição da área plantada em 10,8%. Nesse ano, o Paraná plantou 2,43 mil hectares. Marcelo Garrido, economista do Deral, observa que o momento é de incertezas. ''Até agora, registramos uma quebra de safra de 17%. Isso devido à geada e à estiagem que ocorreram no Paraná durante a safra'', afirma.
Segundo o Deral, no início da safra era prevista uma produção de 2,89 milhões de toneladas. ''Esse número passou para 2,39 no último registro realizado pela entidade'', recalcula Garrido. Ele completa que o produtor paranaense está desanimado e não tem perspectivas de obtenção de lucro.


