Leilões servirão de teste para modelo energético
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terça-feira, 14 de setembro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O leilão das usinas elétricas já existentes, também chamado de leilão da energia velha, marcado para o fim do ano, será o grande teste para saber se o novo modelo proposto pelo governo federal para o setor elétrico terá bons resultados. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) e ex-diretor da Copel Geração durante o governo Jaime Lerner (PSB), Luiz Fernando Leone Vianna.
O segundo teste, para ele, ocorre em seguida, no início de 2005, data prevista para o segundo leilão do setor, desta vez para a energia nova, ou seja, para a construção de usinas que começarão a gerar energia a partir de 2009. ''O primeiro leilão vai ser fundamental para prever os resultados. Se ele apresentar bons números, é sinal de que o segundo também terá grandes possibilidades'', disse.
Vianna esteve em Curitiba ontem a convite da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) para fazer uma palestra sobre o assunto a empresários consumidores de energia, consultores e investidores. Para ele, o novo modelo energético proposto pelo Ministério das Minas e Energia não acarretará em aumento de tarifas, como afirmam alguns setores, dentre os quais o governo do Paraná, que alega que o consumidor será o maior prejudicado com o novo modelo. Vianna diz que a expectativa é que o aumento sofra uma desaceleração, uma vez que os leilões vão contemplar as empresas que apresentarem as tarifas mais baixas.
O presidente da Apine citou, ainda, as ações esperadas do governo federal para atrair novos investimentos no setor, como a garantia de uma lei de regulamentação que seja favorável e estável, e criação de condições para financiamentos. A Apine representa produtores privados de energia elétrica que operam no Brasil grandes, médios e pequenos geradores, independentemente da fonte, totalizando 35 associados e 16.200 megawatts de capacidade instalada, correspondentes a 20% do total gerado no País.
Segundo Vianna, um dos problemas para os investidores é a questão ambiental. ''Vários empreendimentos estão parados em todo Brasil por embargo judicial'', afirmou. Ele negou que o setor esteja querendo negligenciar o meio ambiente, e defendeu que o empreendimento seja licenciado sempre que forem atendidos os requisitos da lei. ''Às vezes o embargo acontece antes mesmo de se realizar a primeira audiência pública'', reclamou. Ele calcula que estejam embargadas em todo País um total de obras que gerariam cerca de 4,5 mil megawatts.
Sobre os pontos positivos da proposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Vianna ressaltou a importância de se ter um planejamento único que contemple as várias fontes de energia, como o gás, petróleo, carvão, hidrelétrica, etc. ''O Brasil nunca teve um planejamento integrado do setor energético'', disse.


