Nos últimos 3 anos, o mercado de nelore vem crescendo e alcançando cifras que surpreendem até mesmo os criadores. E não se pode negar um marco nesta história. Em 1999, o pecuarista Jairo Dias comprou a vaca mais cara do mundo, pagou na época R$ 330 mil. Um animal da Fazenda Mata Velha, vendido em um leilão. Agora esta mesma vaca será vendida no leilão de Uberaba (MG) por 1 milhão de reais. ''Este animal foi pago em um ano com a venda de embriões'', diz Jairo Dias.
A liquidez é mesmo grande, o que deve justificar que do rebanho brasileiro de 170 milhões de cabeças, 150 milhões são de nelore. Jairo não gosta de falar em números, mas garante que já investiu milhões no nelore, sem nenhum tipo de arrependimento. Hoje ele comparece a 50 leilões por ano e a exposição de Londrina está neste calendário. ''A cada ano que passa, melhora. Já comprei vaca por 240 mil reais e em um ano vendi por 560 mil. Nelore não tem preço'' diz.
Hoje, na Expô 2003 acontece o leilão das Fazendas Reunidas Serra Negra, conhecida pela qualidade de matrizes nelore. No ano passado neste leilão, foi vendida a vaca mais cara da Exposição de Londrina, um fêmea nelore arrematada por 140 mil reais. Este ano vão ser oferecidas 40 fêmeas paridas ou prenhas, e a expectativa é que possam superar o recorde deste ano que aconteceu no leilão da Espinho Preto, também de nelore, quando um animal foi vendido por 189 mil reais.
''Londrina é um grande centro para venda de matrizes e reprodutoras, o mercado é imprevisível. Como antecede Uberaba é a abertura do mercado, referência de pista'', diz o organizador do leilão Serra Negra, Moacir Sgarione. Ele observa que a média de venda de nelore no ano passado foi de R$ 20 mil. Já este ano, no leilão Beka (do deputado Abelardo Lupion) chegou a R$ 24 mil; no leilão Espinho Preto, domingo passado, chegou a R$ 30 mil, e hoje pode ter recordes. ''Alimentamos otimismo, mas com realismo, sabemos que em um leilão o que está em jogo não é só o animal, mas muitos outros fatores, como o pai, a mãe, os prêmios e claro, o ego do comprador, a disputa para levar para a fazenda o melhor, e preferência tem preço'', arremata.
São médias altas e com total liquidez. Sgarione cita exemplos como a matriz Diamantina Santri, campeã - vendida por R$ 4.200,00 para a Fazenda Cachoeira. A mesma vaca foi negociada por R$ 32.000,00 para o pecuarista Antonio Vilela de São Paulo que por sua vez vendeu o animal por 540 mil, isso em um prazo de 3 anos, garante Moacir. Um outro exemplo é o da vaca Cafeína Santri comprada pelo grupo Bertin por R$ 27.000,00. O dono vendeu prenhezes por 40 mil reais, lembrando que um animal pode ter até 20 prenhezes/ano.

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