Curitiba - O número de leilões de imóveis de mutuários inadimplentes no interior do Paraná aumentou 100% em junho deste ano, em relação ao ano passado. De acordo com levantamento da Associação Nacional dos Mutuários do Paraná (ANM), foram feitos 260 pregões no mês passado, ante 130 de junho de 2001. Londrina e Maringá respondem pelo maior número de leilões. Considerando todo o Estado, o aumento foi de 26% em relação ao número de leilões realizados por bancos em junho de 2001. No total, foram 449 pregões.
As taxas de juros cobradas pelos bancos são a principal causa da inadimplência, disse o presidente da ANM, Luiz Alberto Copetti. ''As crises econômicas e a instabilidade no emprego acabam levando a pessoa à inadimplência'', afirmou. Segundo ele, os bancos não estão dispostos a renegociar dívidas. ''Os mutuários têm interesse em pagar, mas como o banco não concorda com as condições e quer receber em dinheiro, não sai acordo e o imóvel é levado a leilão'', observou.
De acordo com Copetti, a ANM está conseguindo suspender os leilões. A entidade argumenta que os bancos não dão possibilidade de ampla defesa ao mutuário quando realizam leilões e, com isso, é possível obter liminares impedindo a venda. Depois, a ANM entra com uma ação revisional questionando os valores cobrados pelo banco.
O analista judiciário Luiz Henrique Portugal conseguiu impedir que o apartamento em que mora fosse colocado à venda. O Itaú, que financiou R$ 62 mil, estava cobrando R$ 1.759,00 pela prestação e apontava um saldo devedor de R$ 81 mil. Segundo a ANM, os valores corretos seriam de R$ 873,00 e R$ 62 mil, respectivamente. A diferença ocorre porque a ANM contabiliza juros anuais de 12%, previstos nos contratos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e o banco cobrou 16%.
''Quando assinei o contrato, na época com o Banestado, fiz um contrato de dez anos e me informaram que poderia mudar esse prazo. Seis meses depois quis aumentar o prazo, mas não foi permitido, e por isso algumas prestações ficaram atrasadas'', relatou Portugal. Ele disse que propôs um acordo ao banco, mas a resposta demorou a chegar. ''Quando me ligaram eu já estava sendo executado'', relatou. Portugal afirmou que tem intenção de pagar, mas para isso precisa fazer um acordo com o banco. ''Pretendo aumentar o prazo de pagamento'', acrescentou. O Banco Itaú não se pronuncia sobre casos de imóveis que estão sendo discutidos judicialmente.

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