Leilões de gado querem vender R$ 1,5 bi
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sábado, 26 de janeiro de 2002
Ana Paula Nascimento Reportagem Local 
Os leilões pecuários, divididos em leilões de seleção genética (matrizes, reprodutores, embriões e sêmen) e leilões de gado de corte (machos e fêmeas de todas as raças para cria, recria e engorda), devem movimentar mais de R$ 1,5 bilhão em 2002. A previsão é de Paulo Horto, diretor das duas maiores leiloeiras do País, a Programa Leilões e a Remate. Empresários e pecuaristas acham que os leilões tendem a ocupar mais espaço no mercado, à medida em que a comercialização vai exigindo mais dinâmica e profissionalismo. No Brasil há cerca de 200 empresas.
Líder no ranking nacional das empresas leiloeiras, pela quarta vez consecutiva, a Programa Leilões começa o ano apostando nas perspectivas positivas para o ramo de comercialização de gado de corte e material genético.
No ano passado foram realizados 247 leilões pela Programa, o que resultou na comercialização de 89.557 animais, totalizando R$ 116 milhões. Os leilões são a forma mais democrática de oportunizar os negócios e garantir mais credibilidade nas transações comerciais. Este mercado ainda tem muito a crescer: por enquanto, cerca de 30% da comercialização de gado é feita via leilões.
Nunca tivemos um ano tão favorável para o mercado de boi gordo, e a tendência é crescer ainda mais, comenta o proprietário da programa Leilões Paulo Horto. Os problemas relacionadas ao Mal da Vaca Louca, na Europa, e a aftosa, na Argentina e Uruguai, foram preponderantes para a expansão do mercado brasileiro de carnes. As exportações, na comparação 2000/2001, passaram de 500 mil toneladas para mais de 800 mil t, totalizando faturamento de US$ 1 bilhão. Já a produção de carne bovina em 2001 foi de 6 milhões de t.
Até o embargo do Canadá sobre a nossa carne nos foi favorável. Serviu para nos conscientizar ainda mais sobre a importância da produção brasileira de carnes e buscarmos uma postura mais firme diante do mercado, ressalta Horto.
Para os próximos cinco anos, o objetivo é claro: tornar o Brasil o líder mundial na produção e exportação de carnes - lugar hoje ocupado pelos Estados Unidos, seguidos de perto pela Austrália. Para isso, o mercado espera a continuação de uma políta comercial mais agressiva, iniciada no ano passado pelo ministro da Agricultura Pratini de Moraes. É necessário muita habilidade política para romper os embargos protecionistas, principalmente quando feitos através subsídios altíssimos aos produtores norte-americanos, comenta Horto.
Com um rebanho bovino avaliado em 170 milhões de cabeças de gado (80% de corte e 20% de leite), Horto afirma que o Brasil tem plenas condições de triplicar esse volume. Temos a maior área de pastagens, e o boi de altíssima qualidade. O nosso boi é verde e atleta, com grandes extensões para pastagens, afirma, e brinca: o boi brasileiro é vegetariano e atleta; o boi europeu é canibal e sedentário; não anda e se alimenta de farinha de carne e osso de outros animais.
Atualmente, a cadeia do boi gera em torno de oito milhões de empregos e representa 8% do Produto Interno Bruto (PIB), que no ano passado superou o valor de R$ 1 trilhão.


