Os leilões pecuários, divididos em leilões de seleção genética (matrizes, reprodutores, embriões e sêmen) e leilões de gado de corte (machos e fêmeas de todas as raças para cria, recria e engorda), devem movimentar mais de R$ 1,5 bilhão em 2002. A previsão é de Paulo Horto, diretor das duas maiores leiloeiras do País, a Programa Leilões e a Remate. Empresários e pecuaristas acham que os leilões tendem a ocupar mais espaço no mercado, à medida em que a comercialização vai exigindo mais dinâmica e profissionalismo. No Brasil há cerca de 200 empresas.
Líder no ranking nacional das empresas leiloeiras, pela quarta vez consecutiva, a Programa Leilões começa o ano apostando nas perspectivas positivas para o ramo de comercialização de gado de corte e material genético.
No ano passado foram realizados 247 leilões pela Programa, o que resultou na comercialização de 89.557 animais, totalizando R$ 116 milhões. Os leilões são a forma mais democrática de oportunizar os negócios e garantir mais credibilidade nas transações comerciais. Este mercado ainda tem muito a crescer: por enquanto, cerca de 30% da comercialização de gado é feita via leilões.
‘‘Nunca tivemos um ano tão favorável para o mercado de boi gordo, e a tendência é crescer ainda mais’’, comenta o proprietário da programa Leilões Paulo Horto. Os problemas relacionadas ao Mal da Vaca Louca, na Europa, e a aftosa, na Argentina e Uruguai, foram preponderantes para a expansão do mercado brasileiro de carnes. As exportações, na comparação 2000/2001, passaram de 500 mil toneladas para mais de 800 mil t, totalizando faturamento de US$ 1 bilhão. Já a produção de carne bovina em 2001 foi de 6 milhões de t.
‘‘Até o embargo do Canadá sobre a nossa carne nos foi favorável. Serviu para nos conscientizar ainda mais sobre a importância da produção brasileira de carnes e buscarmos uma postura mais firme diante do mercado’’, ressalta Horto.
Para os próximos cinco anos, o objetivo é claro: tornar o Brasil o líder mundial na produção e exportação de carnes - lugar hoje ocupado pelos Estados Unidos, seguidos de perto pela Austrália. Para isso, o mercado espera a continuação de uma políta comercial mais agressiva, iniciada no ano passado pelo ministro da Agricultura Pratini de Moraes. ‘‘É necessário muita habilidade política para romper os embargos protecionistas, principalmente quando feitos através subsídios altíssimos aos produtores norte-americanos’’, comenta Horto.
Com um rebanho bovino avaliado em 170 milhões de cabeças de gado (80% de corte e 20% de leite), Horto afirma que o Brasil tem plenas condições de triplicar esse volume. ‘‘Temos a maior área de pastagens, e o boi de altíssima qualidade. O nosso boi é ‘verde’ e ‘atleta’, com grandes extensões para pastagens’’, afirma, e brinca: ‘‘o boi brasileiro é vegetariano e atleta; o boi europeu é canibal e sedentário; não anda e se alimenta de farinha de carne e osso de outros animais.’’
Atualmente, a cadeia do boi gera em torno de oito milhões de empregos e representa 8% do Produto Interno Bruto (PIB), que no ano passado superou o valor de R$ 1 trilhão.

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